Fatos Principais
- Daria Egereva, uma mulher indígena Selkup de Tomsk, na Sibéria Ocidental, foi detida pelas autoridades russas sob acusações de terrorismo desde 17 de dezembro de 2025.
- Egereva atuou como co-presidente do Fórum Internacional de Povos Indígenas sobre Mudanças Climáticas desde 2023, facilitando a participação indígena em reuniões climáticas da ONU, incluindo a COP30.
- As autoridades russas designaram a rede Fórum Aborígene, com a qual Egereva estava afiliada, como uma "organização extremista" em julho de 2024, visando grupos de defesa indígena.
- Mais de 2.000 defensores ambientais e de terras foram mortos ou desapareceram por seu trabalho entre 2012 e 2024, com quase um terço sendo indígenas, de acordo com a Global Witness.
- Egereva enfrenta até 20 anos de prisão se for condenada, com sua próxima audiência judicial marcada para 17 de fevereiro de 2026.
- O Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou uma resolução em outubro criticando a designação de 55 organizações indígenas como "organizações extremistas" pela Rússia e pedindo o cumprimento do direito internacional de direitos humanos.
Uma Voz Silenciada
Daria Egereva, uma proeminente mulher indígena Selkup de Tomsk, na Sibéria Ocidental, foi detida pelas autoridades russas sob acusações de terrorismo. Sua prisão em 17 de dezembro de 2025 atraiu condenações de organizações internacionais que a veem como retaliação direta por sua defesa das Nações Unidas em nome dos povos indígenas.
Durante vários anos, Egereva tem sido uma voz líder nas negociações climáticas globais, trabalhando para garantir que as perspectivas indígenas sejam incluídas nas políticas ambientais internacionais. Sua detenção marca uma escalada significativa na repressão de ativistas indígenas que desafiam governos poderosos sobre questões climáticas e de direitos humanos.
Liderança Climática da ONU
Desde 2023, Egereva atuou como co-presidente do Fórum Internacional de Povos Indígenas sobre Mudanças Climáticas, um fórum oficial da ONU que facilita a participação indígena em reuniões climáticas globais. Seu trabalho centrou-se em garantir que as vozes indígenas sejam ouvidas nos mais altos níveis de tomada de decisão ambiental.
Durante a conferência climática COP30 no Brasil, Egereva defendeu especificamente a inclusão de mulheres indígenas nas negociações climáticas. Sua mensagem foi clara e urgente: "Se não protegermos as mulheres, não teremos futuro", ela declarou em um vídeo publicado nas redes sociais em 21 de novembro.
Além de sua defesa em conferências climáticas, Egereva conduziu pesquisas críticas sobre os efeitos da transição verde nas comunidades indígenas. Em um relatório de 2024, ela alertou que:
- Transições de economia verde sem estruturas adequadas continuam injustiças históricas
- Os povos indígenas enfrentam marginalização e discriminação
- A privação de terras e recursos permanece uma preocupação crítica
- A falta de inclusão indígena nas políticas verdes perpetua danos
"Se não protegermos as mulheres, não teremos futuro."
— Daria Egereva, defensora indígena Selkup
Alvo das Autoridades
Em 17 de dezembro, as autoridades russas realizaram uma busca na casa de Egereva, confiscando seus dispositivos digitais e prendendo-a. O Fórum Internacional de Povos Indígenas sobre Mudanças Climáticas descreveu isso como "uma retaliação direta por sua defesa dos direitos indígenas", citando especificamente seu trabalho na COP30.
Sua prisão parece estar ligada à sua afiliação com a rede Fórum Aborígene, um grupo de defensores indígenas que as autoridades russas designaram como uma "organização extremista" em julho de 2024. O fórum havia defendido a proteção dos direitos dos povos indígenas enquanto os países buscavam desenvolver a região do Ártico.
Egereva também foi anteriormente membro do Centro de Apoio aos Povos Indígenas do Norte, que as autoridades russas fecharam em 2019. De acordo com sua amiga Luda Kinok, uma mulher Yupik da Rússia, Egereva deve permanecer detida até sua próxima audiência judicial em 17 de fevereiro, após a qual poderia enfrentar até 20 anos de prisão.
Padrão Mais Amplo de Repressão
O caso de Egereva não é isolado. Na mesma semana de sua prisão, Valentina Vyacheslavovna Sivjubam, uma defensora Saami e membro do Fórum Permanente da ONU sobre Questões Indígenas, relatou uma busca semelhante pelas autoridades russas.
"Durante a busca, eles apreenderam equipamentos técnicos e revistaram as instalações, pastas, livros e caixas por quatro horas. Eles compilaram um relatório sem deixar uma cópia e sem me permitir ligar para um advogado", disse Sivjubam através de um intérprete. "Acredito que estou sendo perseguida por meu ativismo e meu compromisso firme com a proteção dos direitos dos povos indígenas."
Um relatório da ONU de 2023 concluiu que defensores de múltiplos países foram desencorajados a participar de processos da ONU devido ao medo de retaliações. Em 2024, a Seção de Povos Indígenas e Minorias do Escritório do Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos relatou um aumento nesses casos.
Os dados da Global Witness revelam uma realidade dura: mais de 2.000 defensores ambientais e de terras foram mortos ou desapareceram por seu trabalho entre 2012 e 2024, com quase um terço sendo indígenas.
Condenação Internacional
A prisão de Egereva foi denunciada por múltiplas organizações indígenas internacionais, incluindo Cultural Survival, a Coalizão SIRGE e o Conselho Internacional de Tratados Indianos. O IITC caracterizou a situação como "um grave caso de intimidação e retaliação contra um líder indígena em conexão direta com sua participação no processo da UNFCCC".
Sineia Do Vale, que é Wapichana do Brasil e co-preside o Fórum Internacional de Povos Indígenas sobre Mudanças Climáticas ao lado de Egereva, enfatizou as implicações mais amplas:
"Essas retaliações fazem parte de um padrão mais amplo de repressão que afeta os povos indígenas em todo o mundo, e são um ataque inaceitável ao direito dos povos indígenas de se engajarem nos processos globais de direitos humanos e mudanças climáticas."
Em outubro, o Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou uma resolução criticando a designação de 55 organizações indígenas e outros grupos como "organizações extremistas" pela Rússia. A resolução pediu à Rússia que cumprisse o direito internacional de direitos humanos.
Olhando para o Futuro
O caso de Daria Egereva representa um teste crítico da determinação internacional em proteger defensores indígenas que desafiam o poder estatal sobre questões climáticas e de direitos humanos. Sua próxima audiência judicial em 17 de fevereiro determinará se ela enfrentará décadas de prisão por seu trabalho de defesa da ONU.
Sua detenção destaca a interseção perigosa entre ativismo ambiental, direitos indígenas e repressão estatal. Enquanto o mundo lida com as mudanças climáticas, o silenciamento das vozes indígenas — aquelas que cuidaram de terras e ecossistemas por milênios — representa um desafio fundamental para uma política ambiental global eficaz.
A resposta da comunidade internacional ao caso de Egereva pode estabelecer precedentes importantes sobre como os defensores indígenas são protegidos quando se engajam em processos da ONU e desafiam governos poderosos sobre questões climáticas e de direitos humanos.
"Essas retaliações fazem parte de um padrão mais amplo de










