Fatos Principais
- Um estudo na Nature Sustainability descobriu que mandatos climáticos podem ter efeito contrário ao enfraquecer valores pró-ambientais.
- Pesquisadores pesquisaram mais de 3.000 alemães e descobriram que mandatos climáticos geraram 52% mais rejeição do que mandatos da COVID-19.
- Na Alemanha, uma política de 2023 de "martelo de aquecimento" contribuiu para a queda do governo devido à rejeição pública.
- O estudo destaca que o design da política e a confiança pública são tão críticos quanto a agressividade das medidas.
Resumo Rápido
Um novo estudo publicado no periódico Nature Sustainability sugere que políticas climáticas agressivas podem ter efeito contrário. Pesquisadores descobriram que mandatos, proibições ou restrições projetados para forçar mudanças no estilo de vida frequentemente desencadeiam uma resposta negativa do público. Essa reação pode enfraquecer valores pró-ambientais existentes e criar oposição política, mesmo entre aqueles que já estão preocupados com a mudança climática.
Os achados indicam que o design da política climática é tão importante quanto sua rigidez. Especialistas alertam que forçar o cumprimento pode levar a um "custo de controle", onde as pessoas resistem a serem ditas o que fazer. Esse fenômeno foi observado em vários contextos, mas o estudo destaca sua intensidade particular na esfera da ação climática. A pesquisa sugere que construir confiança e considerar a fragilidade das normas sociais são críticos para a implementação bem-sucedida de políticas.
O 'Custo de Controle' na Política Climática
Pesquisadores pesquisaram mais de 3.000 alemães para entender como as pessoas reagem a mandatos. O estudo revelou que mesmo indivíduos que se preocupam profundamente com a mudança climática tiveram uma resposta notavelmente negativa a políticas que limitam liberdades pessoais, como restrições em temperaturas de termostato ou consumo de carne.
Essa reação, denominada "custo de controle", foi significativamente maior para políticas climáticas do que para outros tipos de mandatos. Quando comparados a requisitos da COVID-19 como mandatos de vacina e máscara, a rejeição para políticas climáticas foi 52 por cento maior. Katrin Schmelz, autora do estudo, expressou surpresa com a intensidade da oposição.
O estudo sugere que essa resistência decorre de um conflito entre valores individuais de liberdade e objetivos comunitários como segurança ambiental. Ben Ho, que não participou da pesquisa, observou que este é um compromisso societal fundamental. Ele enfatizou que a novidade do estudo está em demonstrar que esses efeitos contrários permanecem relevantes hoje e em conectá-los a dados sobre sentimento público em relação a políticas da COVID.
Consequências Políticas e Exemplos do Mundo Real
As consequências políticas do excesso de poder percebido do governo podem ser dramáticas. Na Alemanha, uma lei de 2023 destinada a eliminar gradualmente combustíveis fósseis restringindo novos sistemas de aquecimento a gás tornou-se um ponto de ignição. Oponentes a batizaram de heizhammer, ou "martelo de aquecimento", usando-a como um símbolo de intrusão governamental. Isso contribuiu para uma rejeição pública mais ampla contra a coalizão governante.
De acordo com o economista climático Gernot Wagner, o governo alemão "basicamente caiu" porque foi visto como instituindo uma proibição do gás. O governo atual está tentando reverter essa legislação. Essa experiência sublinha os riscos identificados no estudo: políticas percebidas como restritivas de escolhas pessoais podem desencadear resistência que enfraquece o apoio à ação climática de forma mais ampla.
Nos Estados Unidos, políticas climáticas historicamente foram menos agressivas, evitando oposição generalizada semelhante. No entanto, sinais de conflito potencial existem. A Lei de Independência e Segurança Energética de 2007, que eliminou gradualmente lâmpadas incandescentes, provocou os atos "Light Bulb Freedom of Choice" impulsionados pelo movimento Tea Party. Hoje, brigas semelhantes estão surgindo sobre metano e gás natural à medida que cidades tentam proibir novas conexões.
Navegando o Dilema da Política
Os legisladores enfrentam um difícil ato de equilíbrio. Se uma política não for agressiva o suficiente, pode falhar em combater a mudança climática de forma eficaz. Se for muito agressiva, corre o risco de provocar uma reação que paralisa o progresso inteiramente. Sam Bowles, economista no Santa Fe Institute, observou que enquanto mandatos podem ajudar a superar obstáculos, eles vêm com custos e impactos negativos imprevistos.
Especialistas concordam que a solução não é abandonar políticas climáticas, mas projetá-las de forma mais cuidadosa. Ben Ho sugeriu que a confiança é um componente chave. Katrin Schmelz acrescentou que, em comparação com os Estados Unidos, os alemães têm uma confiança bastante alta em seu governo, ainda assim a rejeição foi severa. Ela alertou que nos EUA, mandatos seriam provavelmente menos aceitos e provocariam ainda mais oposição.
Por fim, o estudo enfatiza a fragilidade de compromissos éticos e normas sociais. Sam Bowles afirmou que esses valores são "muito frágeis e são facilmente destruídos". Os formuladores de políticas devem considerar como projetar medidas que incentivem a cooperação em vez de forçar o cumprimento, pois um design de política ruim pode reduzir significativamente a disposição do público para cooperar.
"Mandatos às vezes podem levá-lo a superar um obstáculo e um ponto de inflexão, mas eles vêm com custos. Poderia haver impactos negativos que as pessoas não antecipam."
— Sam Bowles, Economista no Santa Fe Institute
"Eu não esperava que a oposição das pessoas ao estilo de vida imposto por mandatos climáticos fosse tão extrema."
— Katrin Schmelz, Autora e Pesquisadora no Santa Fe Institute
"O último governo alemão basicamente caiu porque foi visto como instituindo uma proibição do gás."
— Gernot Wagner, Economista Climático na Columbia Business School
"Isso não significa que devamos desistir de políticas climáticas. Significa apenas que devamos ser mais cuidadosos em como as políticas são projetadas, e que a confiança poderia ser um componente chave."
— Ben Ho
"Compromissos éticos e normas sociais são muito frágeis e são facilmente destruídos."
— Sam Bowles, Economista no Santa Fe Institute


