Fatos Principais
- Em 29 de junho de 1916, Francisco Franco foi baleado perto de Ceuta e salvo por um médico militar.
- Alfonso Gaspar y Soler foi assassinado em 23 de agosto de 1936, no muro do cemitério em Huesca.
- O Juzgado de Primera Instancia número 1 de Huesca emitiu uma sentença reconhecendo as circunstâncias de sua morte.
- O caso foi promovido pelo Gabinete de Direitos Humanos e Memória Democrática.
Resumo Rápido
A família de Alfonso Gaspar y Soler recebeu uma sentença judicial reconhecendo seu status como vítima da repressão franquista. A decisão foi emitida pelo Juzgado de Primera Instancia e Instrucción número 1 de Huesca. Esta ação legal foi iniciada pelo Gabinete de Direitos Humanos e Memória Democrática a pedido dos descendentes da vítima.
O documento judicial detalha que Gaspar y Soler foi detido no Hospital Militar de Huesca após o golpe de Estado de 18 de julho de 1936. Ele foi subsequentemente morto em 23 de agosto daquele ano. O caso destaca um paradoxo histórico: Gaspar y Soler é citado em algumas fontes como o médico militar que salvou a vida de Francisco Franco em 1916, apenas para ser executado pelas forças de Franco vinte anos depois.
Contexto Histórico: A Guerra do Rif
Em 29 de junho de 1916, um oficial militar espanhol de 23 anos foi baleado no estômago em El Biutz, localizado aproximadamente a 10 quilômetros de Ceuta. A ferida foi considerada fatal, mas um médico militar conseguiu salvar sua vida. O soldado ferido era Francisco Franco, que mais tarde se tornaria o ditador da Espanha.
Existe um debate histórico sobre a identidade do médico que realizou a intervenção que salvou a vida. De acordo com Julián Casanova, professor de História Contemporânea e autor de uma biografia recente do ditador, não há consenso sobre o nome do médico. Um dos candidatos identificados nas fontes históricas é Alfonso Gaspar y Soler.
O Assassinato de 1936
Vinte anos após os eventos da Guerra do Rif, o cenário político da Espanha havia mudado drasticamente. Após a insurreição militar de 18 de julho de 1936, uma repressão sistemática da dissidência foi lançada pela facção rebelde. Alfonso Gaspar y Soler tornou-se um alvo desta repressão devido à sua ideologia e atividade política.
A recente sentença judicial estabelece os detalhes específicos de sua morte. O documento afirma: "Tras el golpe de Estado del 18 de julio de 1936, en el contexto de la represión de la disidencia desplegada por el bando sublevado y con motivo de su ideología y actividad política, el señor Gaspar y Soler fue detenido en el Hospital Militar de Huesca". A sentença esclarece ainda que, em 23 de agosto, ele foi espancado até a morte no muro do cemitério.
Reconhecimento Judicial 🏛️
Os procedimentos legais foram adiantados pelo Fiscalía de Derechos Humanos y Memória Democrática, que atendeu ao pedido arquivado pela família da vítima. O objetivo era que a justiça estabelecesse oficialmente as circunstâncias de sua morte como o assassinato de uma pessoa inocente.
A sentença do Juzgado de Primera Instancia e Instrucción número 1 de Huesca foi agora entregue aos netos e bisnetos do Dr. Gaspar y Soler. Este documento serve como um reconhecimento oficial dos fatos que cercam sua execução durante os primeiros meses da Guerra Civil Espanhola.
"Tras el golpe de Estado del 18 de julio de 1936, en el contexto de la represión de la disidencia desplegada por el bando sublevado y con motivo de su ideología y actividad política, el señor Gaspar y Soler fue detenido en el Hospital Militar de Huesca"
— Sentença Judicial, Juzgado de Primera Instancia e Instrucción número 1 de Huesca



