Fatos Principais
- 57% dos consumidores usaram ou usariam IA para responder a questões legais, de acordo com uma pesquisa da Clio de dezembro de 2025
- Um em cada três americanos usa ferramentas de IA generativa para conselhos de saúde semanalmente, e um em dez usa diariamente, segundo uma pesquisa da Zocdoc de 2025
- 17% dos adultos nos EUA consultam chatbots de IA pelo menos uma vez por mes para informações de saúde, mas 56% não têm confiança na precisão
- Um terço dos americanos confiaria mais no ChatGPT do que em um especialista humano, de acordo com uma pesquisa da Survey Monkey e Express Legal Funding de 2025
Resumo Rápido
Chatbots de IA generativa estão se tornando rapidamente o primeiro ponto de parada para americanos que buscam respostas para questões legais e médicas complexas, funcionando como um híbrido digital entre WebMD e LegalZoom. Essa mudança está mudando fundamentalmente como as pessoas abordam serviços profissionais e o que esperam de médicos e advogados.
Pesquisas recentes revelam a escala dessa transformação. Em dezembro de 2025, a empresa de software legal Clio relatou que 57% dos consumidores usaram ou usariam IA para abordar questões legais. Enquanto isso, a empresa de tecnologia em saúde Zocdoc descobriu que um terço dos americanos consultam ferramentas de IA para conselhos de saúde semanalmente, com um em dez fazendo isso diariamente.
Profissionais legais e médicos estão se adaptando a uma nova realidade onde clientes e pacientes chegam armados com pesquisas geradas por IA. Isso democratiza o acesso à informações, mas também cria atritos, pois profissionais trabalham para corrigir equívocos e reconstruir confiança. Preocupações com privacidade são grandes, pois compartilhar detalhes sensíveis de casos ou históricos médicos com plataformas de IA do consumidor pode anular proteções legais.
Profissionais Legais Enfrentam Clientes Impulsionados por IA
Jonathan Freidin, um advogado de má-prática médica em Miami, identifica usuários do ChatGPT por padrões distintos em suas comunicações. "Umas vezes por semana", observa Freidin, "percebo que as pessoas preenchem a ficha de contato de cliente de sua empresa com texto cheio de emojis e títulos. Isso é um sinal claro de que copiaram e colaram do ChatGPT."
Muitos clientes afirmam que "fizeram muita pesquisa" usando ferramentas de IA. Freidin nota: "Estamos vendo muito mais chamadores que sentem que têm um caso porque o ChatGPT ou Gemini lhes disseram que os médicos ou enfermeiros ficaram abaixo do padrão de cuidado de múltiplas formas diferentes. Embora isso possa ser verdade, não necessariamente se traduz em um caso viável."
Jamie Berger, uma advogada de direito de família em Nova Jersey, descreve como a dinâmica mudou. Anteriormente, clientes sabiam pouco sobre processos de divórcio e buscavam informações de advogados. Agora, eles chegam com planos genéricos passo a passo que muitas vezes não se encaixam em suas circunstâncias específicas. Berger explica: "Temos que dissipar a informação que eles foram capazes de obter versus o que realmente está acontecendo em seu caso e meio que trabalhar de trás para frente."
Ela acrescenta que o uso de IA muda os padrões de comunicação: "Berger percebe, após enviar um e-mail a um cliente, se o tom deles muda repentinamente, que eles podem estar usando IA para escrever extensas estratégias legais ou perguntas." Isso requer reconstruir a relação advogado-cliente de maneiras que não existiam antes.
Uso de IA em Saúde e Preocupações
Profissionais médicos relatam padrões semelhantes. Oliver Kharraz, CEO da Zocdoc, prevê que "A IA se tornará a ferramenta principal para necessidades pré-atendimento como verificação de sintomas, triagem e navegação, bem como para tarefas rotineiras como reabastecimentos e triagens." No entanto, ele alerta que "pacientes reconhecerão que não é substituto para a vasta maioria das interações de saúde, especialmente aquelas que exigem julgamento humano, empatia ou tomada de decisão complexa."
Chatbots de IA oferecem vantagens que prestadores humanos lutam para igualar. Eles fornecem respostas imediatas sem tempos de espera e operam 24/7. Hannah Allen, diretora médica da ferramenta de transcrição médica Heidi, explica o apelo: "Eles realmente amam esse ritmo de serem capazes de saber que o ChatGPT nunca some, nunca vai dormir, nunca diz não, nunca diz, 'desculpe, sua lista é muito longa.'"
Alguns clínicos veem a IA como uma ferramenta útil de segunda opinião. Heidi Schrumpf, diretora de serviços clínicos da plataforma de teleterapia Marvin Behavioral Health, diz que pacientes às vezes verificam seu conselho com o ChatGPT. "É ótimo que eles tenham acesso a uma segunda opinião rápida", ela nota, "e então, se não concordar comigo, isso lhes permite fazer perguntas melhores."
No entanto, a confiança na precisão da IA permanece baixa. Uma pesquisa da KFF de 2024 descobriu que, embora 17% dos adultos nos EUA consultem chatbots de IA mensalmente para informações de saúde, 56% desses usuários não têm confiança na precisão das informações fornecidas.
Riscos de Privacidade e Privilégio ⚠️
Compartilhar informações sensíveis com plataformas de IA do consumidor carrega riscos legais significativos. Beth McCormack, decana da Escola de Direito de Vermont, alerta sobre o privilégio advogado-cliente: "Existe também o risco de anular o tipo de proteções que as pessoas recebem do privilégio de confidencialidade advogado-cliente se as pessoas colocarem informações muito específicas sobre seu caso em um chatbot."
A privacidade médica enfrenta vulnerabilidades semelhantes. HIPAA, a lei federal que protege informações de saúde confidenciais, não se aplica a produtos de IA do consumidor. Pacientes que compartilham históricos médicos inteiros com o ChatGPT carecem das proteções legais que teriam com prestadores de saúde.
McCormack enfatiza a complexidade das questões legais: "Há tanta nuance na lei. Ela é tão dependente de fatos." Essa nuance é frequentemente perdida em respostas geradas por IA, que podem fornecer conselhos que soam autoritativos, mas genéricos, que não levam em conta jurisdições ou circunstâncias específicas.
A OpenAI reconheceu essas preocupações. A empresa atualizou suas políticas no outono passado, especificando que usuários não podem recorrer ao ChatGPT para "fornecimento de conselhos personalizados que exigem uma licença, como conselhos legais ou médicos, sem o envolvimento apropriado de um profissional licenciado." No entanto, o chatbot continua a responder a questões relacionadas a saúde e direito.
O Futuro dos Serviços Profissionais
Apesar dos desafios, alguns profissionais reconhecem o potencial da IA para aumentar o acesso. Golnoush Goharzad, uma advogada de lesões pessoais e emprego na Califórnia, nota que a IA pode ajudar pessoas que não podem custear custos legais antecipados. Para aqueles enfrentando despejo ou precisando entrar com ações de pequeno valor, ferramentas de IA às vezes ajudaram a garantir vitórias.
No entanto, Goharzad também encontra amigos que acreditam ter processos válidos baseados apenas na avaliação do ChatGPT. "Ela pergunta: 'Por quê? Isso nem faz sentido', e eles dizem: 'bem, o ChatGPT acha que faz sentido.'"
O consenso entre especialistas é que a resistência é fútil. Em vez de lutar contra o uso de IA, profissionais devem guiar pacientes e clientes para uma integração responsável. Schrumpf aconselha: "Precisamos manter, como clínicos, em mente que esta pode ser uma ferramenta que está sendo usada, e pode ser muito útil, especialmente com alguma orientação e integrando-a em nossos planos de tratamento. Mas pode dar errado se não estivermos prestando atenção."
Allen reforça essa perspectiva: "No final, você precisa de um humano para entender as nuances da comunicação e as habilidades de comunicação mais suaves, e as habilidades de comunicação não verbais, e o quadro médico completo e o histórico." À medida que a IA se torna onipresente, profissionais devem assumir que seus clientes e pacientes a estão usando e adaptar suas práticas.




