Fatos Principais
- A Aurora Therapeutics arrecadou US$ 16 milhões com a Menlo Ventures.
- Jennifer Doudna atua como consultora da startup.
- O primeiro alvo da empresa é a fenilcetonúria (PKU).
- Há aproximadamente 1.600 mutações de DNA conhecidas que causam PKU.
- Apenas 20 letras do gene precisam ser alteradas para redirecionar o tratamento.
Resumo Rápido
Uma nova startup, Aurora Therapeutics, está apostando que os reguladores vão facilitar os tratamentos de edição genética. A empresa propõe uma "abordagem guarda-chuva" para testar e comercializar essas terapias. Essa estratégia visa obter aprovação para medicamentos de edição genética que possam ser levemente ajustados ou personalizados, sem a necessidade de novos ensaios clínicos dispendiosos para cada nova versão.
A necessidade dessa mudança foi recentemente endossada pelo chefe da US Food and Drug Administration (FDA). A agência planeja abrir um novo caminho regulatório para "terapias sob medida e personalizadas" que não podem ser facilmente testadas de forma convencional. O primeiro alvo da Aurora é a fenilcetonúria (PKU), uma doença hereditária rara. A empresa tem US$ 16 milhões em financiamento e conta com a co-inventora da CRISPR, Jennifer Doudna, como consultora.
O Estado da CRISPR
A tecnologia de edição genética CRISPR tem sido descrita como a maior grande avanço da biotecnologia do século. No entanto, seu impacto no mundo real tem sido mais lento do que muitos esperavam. Até o momento, apenas um medicamento de edição genética foi aprovado para uso comercial. Esse medicamento foi usado em aproximadamente 40 pacientes, todos com anemia falciforme.
Alguns observadores notam um "clima de desânimo" sobre todo o campo. O desafio é encontrar maneiras de ajudar mais pessoas com condições genéticas. A Aurora Therapeutics acredita que sua nova abordagem pode ser a resposta. A empresa é apoiada pela Menlo Ventures e visa mudar como esses tratamentos são desenvolvidos.
Estratégia da Aurora para PKU
O primeiro alvo da Aurora é a fenilcetonúria, também conhecida como PKU. Este é um caso típico de por que uma nova abordagem é necessária. Pessoas com PKU carecem de uma versão funcional de uma enzima necessária para processar o aminoácido fenilalanina. Se esse aminoácido se acumula, causa danos cerebrais. Os pacientes devem seguir uma dieta rigorosa para toda a vida.
A edição genética poderia, teoricamente, corrigir a PKU. No entanto, o problema é que muitas mutações diferentes podem afetar o gene crítico. Pesquisadores conhecem 1.600 mutações de DNA diferentes que causam PKU. Não é comercialmente viável desenvolver 1.600 medicamentos de edição genética diferentes.
O objetivo da Aurora é, eventualmente, obter aprovação para um único editor de genes. Com pequenos ajustes, esse único medicamento poderia ser usado para corrigir várias das mutações mais comuns. Uma mutação específica é responsável por cerca de 10% dos casos estimados de 20.000 casos de PKU nos EUA.
Como a Tecnologia Funciona
A abordagem da empresa depende de fazer pequenas mudanças em um tratamento base. Um editor de genes é uma proteína especial que pode localizar um lugar específico no genoma e alterá-lo. Para preparar um, a Aurora colocará o código genético para o editor em uma nanopartícula junto com uma molécula de direcionamento.
No total, o tratamento envolve cerca de 5.000 letras do gene. No entanto, apenas 20 dessas letras precisam ser alteradas para redirecionar o tratamento para reparar uma mutação diferente. De acordo com um parceiro da Menlo Ventures, "Mais de 99% do medicamento permanece o mesmo".
A startup se formou após um encontro entre um investidor e Fyodor Urnov, um cientista de edição genética da Universidade da Califórnia, Berkeley. Urnov é co-fundador da Aurora. Ele escreveu anteriormente sobre o "abismo" entre o que a tecnologia de edição pode fazer e as realidades que impedem os pesquisadores de curar as pessoas.
Paisagem Regulatória
O impulso por novas regulamentações tem apoio dos níveis mais altos. Em novembro, o chefe da US Food and Drug Administration endossou a necessidade de mudar as regulamentações. Ele afirmou que a agência abriria um "novo" caminho regulatório para "terapias sob medida e personalizadas".
O CEO da Aurora, Edward Kaye, acredita que a FDA tem sido compreensiva com a necessidade de mudança. Ele afirmou: "Não podemos ter um [ensaio clínico] separado para cada mutação. A forma como a FDA aprova a edição genética tem que mudar".
Outros cientistas também estão explorando conceitos semelhantes. Kiran Musunuru, pesquisador da Universidade da Pensilvânia, liderou uma equipe que corrigiu o DNA de um bebê com uma mutação única. Embora ele não pense que os planos da Aurora para a PKU contem como editores totalmente personalizados, ele reconhece que reunir um grupo de mutações frequentes torna uma terapia comercialmente viável. Essa abordagem ainda deixaria de fora pacientes com erros genéticos extra-raros, mas representa uma melhoria significativa.
"Não podemos ter um [ensaio clínico] separado para cada mutação. A forma como a FDA aprova a edição genética tem que mudar, e eu acho que eles têm sido muito compreensivos de que esse é o caso."
— Edward Kaye, CEO da Aurora Therapeutics
"Mais de 99% do medicamento permanece o mesmo."
— Johnny Hu, Partner na Menlo Ventures




