Fatos Principais
- O terapeuta Yariv Ganor passou seis anos aconselhando fundadores de startups, combinando formação em psicologia clínica com experiência prévia em marketing em startups israelenses.
- Um estudo de 2025 constatou que quase 70% dos fundadores consideram sua mentalidade "sempre ligada" fundamental para o sucesso do negócio.
- Mais de 70% dos empreendedores relatam taxas mais altas de depressão, TDAH e outras condições de saúde mental em comparação com não empreendedores.
- O horário de trabalho "996" — trabalhar das 9h às 21h, seis dias por semana — tornou-se uma tendência ascendente na cultura de startups do Vale do Silício.
- A pesquisa de Ganor sobre relações fundador-investidor revela que a maioria das rejeições que os empreendedores enfrentam não é pessoal, mas baseada em condições de mercado e estratégia de portfólio.
A Mentalidade do Fundador
A relação mais íntima na vida de um empreendedor pode não ser com um cônjuge ou melhor amigo, mas com seu co-fundador. Quando essa parceria funciona, uma ideia relâmpago pode se tornar um unicórnio. Quando não funciona, o conflito pode afundar o navio tão rápido quanto ele decolou.
Yariv Ganor, um terapeuta baseado em Israel, tem aconselhado fundadores de startups nos últimos seis anos. Treinado como psicólogo clínico e industrial com experiência prévia em marketing em startups israelenses, Ganor entende as pressões únicas de construir uma empresa do zero.
Seu trabalho tornou-se cada vez mais relevante à medida que o ritmo de fechamento de negócios e o avanço tecnológico no Vale do Silício tornam o atendimento de fraturas internas mais crítico do que nunca. O surgimento de startups de IA só intensificou essas pressões, especialmente para fundadores jovens em São Francisco.
A Realidade "Sempre Ligada"
Pesquisa valida as observações de Ganor sobre a saúde mental dos fundadores. Um estudo de 2025 constatou que quase sete em cada dez fundadores consideram sua mentalidade "sempre ligada" fundamental para seu sucesso. Essa mentalidade, embora potencialmente benéfica para os negócios, tem custos pessoais significativos.
Outro estudo de 2018 sobre condições psiquiatriques entre empreendedores revelou que mais de 70% dos participantes relataram taxas mais altas de depressão, TDAH e outras condições de saúde mental em comparação com não empreendedores. Ganor vê essas consequências se desenrolando em tempo real à medida que as startups crescem, os múltiplos de financiamento aumentam e as expectativas se acumulam.
A pressão é particularmente aguda no setor de IA, onde o ritmo da inovação avança implacavelmente. Fundadores que antes poderiam ter meses para estrategizar agora enfrentam mudanças semanais para manter o ritmo com os concorrentes. Esse ambiente cria uma tempestade perfeita onde o bem-estar pessoal frequentemente fica em segundo plano para a sobrevivência da empresa.
Quando a vida profissional ocupa tudo o mais — relacionamentos pessoais, hobbies e mais — torna-se difícil para os fundadores manter um senso de si mesmos fora da empresa.
"Ser um fundador é uma questão de identidade: é uma identidade pessoal, não apenas um emprego."
— Yariv Ganor, Terapeuta
Estratégia Um: Separação de Identidade
Para muitos fundadores, a linha entre quem são e o que fazem se desfaz rapidamente. Ser um fundador torna-se uma questão de identidade pessoal, em vez de apenas um emprego. Ganor observa que os fundadores frequentemente se envolvem tanto com seus títulos que esquecem partes de si mesmos.
Essa fusão de identidade cria vulnerabilidade. Quando a empresa enfrenta dificuldades, todo o senso de autovalor do fundador é atacado. Quando a empresa tem sucesso, o fundador pode negligenciar outros aspectos da vida que proporcionam equilíbrio e resiliência.
A abordagem de Ganor envolve criar uma difusão clara entre trabalho e lazer. Ele exige que os fundadores façam suas reuniões com ele fora do escritório e fornece ferramentas para compartmentalizar estressores profissionais e pessoais. Essa separação permite que os fundadores mantenham a perspectiva e tomem decisões mais claras.
A formação em psicologia industrial ajuda Ganor a entender que os fundadores são treinados para resolver problemas, executar e otimizar — muitas vezes à custa da reflexão. Esse conjunto de habilidades, embora essencial para construir empresas, pode ter efeitos em cascata na liderança, tomada de decisão e relacionamentos co-fundadores.
Estratégia Dois: Pista de Decolagem Mental
Fundadores monitoram meticulosamente sua pista de decolagem financeira — quanto dinheiro resta no banco. O que eles não monitoram tão de perto, segundo Ganor, é sua própria capacidade de continuar. Muitos fundadores acreditam que têm estamina mental ilimitada e podem sempre superar horários exigentes.
A semana de trabalho "996" — trabalhar das 9h às 21h, seis dias por semana — tornou-se uma tendência ascendente no Vale do Silício. Ganor alerta que esse horário, embora comum, pode rapidamente esgotar as reservas mentais. Ele incentiva os fundadores a pensar em sua saúde mental com o mesmo rigor que aplicam a seus interesses financeiros.
Não dilua sua equidade mental. Você precisa ser muito conhecedor de sua pista de decolagem mental — uma vez que a startup começa, sua pista de decolagem fica cada vez mais curta.
Preservar a pista de decolagem mental começa com o reconhecimento das responsabilidades para com membros da equipe, clientes, investidores e outros. Essas responsabilidades se multiplicam rapidamente à medida que uma startup escala, tornando a atenção precoce à saúde mental ainda mais crítica. O fundador que esgota no primeiro ano não pode liderar efetivamente no terceiro ano.
Estratégia Três: Rejeição como Redirecionamento
Poucas histórias de fundadores terminam em sucesso estrondoso. Ganor implora a seus clientes que nunca enquadrem mudanças de curso ou fechamentos como falhas. Em vez disso, ele incentiva a ver esses momentos como redirecionamento, em vez de rejeição. Às vezes, ele observa, o sucesso pode até parecer como prevenir um final indesejado de piorar.
Ganor uma vez ajudou co-fundadores que estavam desfazendo sua startup a finalizar seus negócios com o mínimo de conflito. Esse resultado, embora não fosse a saída de unicórnio que haviam imaginado, representou um sucesso por si só — preservando relacionamentos e reputações profissionais.
Atualmente, Ganor estuda a relação entre fundadores e investidores, especialmente como ambas as partes pensam sobre mudanças de curso das empresas. Uma de suas descobertas principais desafia uma suposição comum dos fundadores: a maioria das rejeições não é pessoal. Os investidores tomam decisões com base em condições de mercado, estratégia de portfólio e inúmeros fatores além do controle de qualquer fundador individual.
Essa mudança de perspectiva pode ser libertadora. Quando os fundadores internalizam que a rejeição frequentemente reflete circunstâncias, em vez de valor pessoal, eles podem avançar com maior resiliência e clareza.
O Caminho à Frente
A intensidade do ecossistema de startups não mostra sinais de diminuir. À medida que a IA continua a remodelar indústrias e novas tecnologias emergem, a pressão sobre os fundadores provavelmente aumentará. No entanto, o trabalho de Ganor demonstra que o sucesso sustentável requer atenção ao elemento humano.
Essas três estratégias — separar a identidade da empresa, monitorar a pista de decolagem mental ao lado da financeira e reenquadrar a rejeição — fornecem um framework para navegar a jornada empreendedora com maior resiliência. Essas abordagens não eliminam os desafios de construir uma empresa, mas equipam os fundadores para enfrentá-los com mentes mais claras e bases mais sólidas.
Para co-fundadores considerando terapia, o novo ano frequentemente traz reflexão e disposição para abordar tensões relacionais antes que se tornem










