Fatos Principais
- Três cientistas da Espanha, Itália e Canadá desenvolveram o conceito de PISS para descrever uma tendência crescente na publicação acadêmica onde pesquisadores publicam principalmente para impulsionar suas próprias carreiras.
- Uma análise de 100.000 edições especiais de periódicos acadêmicos revelou que uma em cada oito era dominada por artigos escritos pelo próprio editor da edição.
- Periódicos especializados que antes eram trimestrais ou mensais agora publicam edições especiais a cada poucas horas, criando o que críticos chamam de 'fábricas de conteúdo'.
- A prática representa uma alocação significativa de recursos de pesquisa públicos, com milhões de euros sendo gastos em publicações que servem principalmente ao avanço individual de carreira em vez do progresso científico.
Um Novo Conceito Surge
Três cientistas identificaram um fenômeno preocupante na publicação acadêmica, um que deram um nome deliberadamente provocativo: PISS. O acrônimo, que significa Published In Support of Self (Publicado em Apoio Próprio), descreve uma prática onde pesquisadores publicam estudos principalmente para inflar seus próprios currículos.
Essa tendência transformou o que antes eram periódicos acadêmicos seletivos e trimestrais no que críticos descrevem como "fábricas de churros" — fábricas produzindo um fluxo constante de conteúdo. A escala é impressionante, com edições especiais aparecendo agora não mensalmente ou semanalmente, mas às vezes a cada poucas horas.
O conceito foi desenvolvido por uma equipe multidisciplinar: o engenheiro espanhol Pablo Gómez Barreiro, o economista italiano Paolo Crosetto e o imunologista canadense Mark Hanson. Sua análise sugere que o ecossistema acadêmico corre o risco de ser sobrecarregado por esse modelo de publicação auto-serviente.
A Mecânica do PISS
O modelo tradicional de publicação acadêmica foi fundamentalmente interrompido. Onde edições especiais eram uma vez comissionadas de figuras distintas em um campo, agora são frequentemente editadas por pesquisadores de nível médio. Esses editores recebem um fluxo de convites para organizar edições, muitas vezes com supervisão mínima.
Esse sistema criou um modelo de negócios lucrativo. Os periódicos lucram com o volume de submissões, enquanto pesquisadores ganham créditos de publicação sem a revisão por pares rigorosa tradicionalmente associada a periódicos de alto impacto. O processo tornou-se um ciclo autorreprodutivo de inflação acadêmica.
Características-chave desse modelo incluem:
- Ciclos de publicação rápidos medidos em horas, não meses
- Editores que também são contribuintes frequentes para suas próprias edições
- Taxas mínimas de rejeição em submissões para edições especiais
- Incentivos financeiros que priorizam volume sobre qualidade
O resultado é um sistema onde a quantidade de publicações frequentemente supera a qualidade da pesquisa, criando uma métrica distorcida de conquista acadêmica.
"La piscina de la ciencia corre peligro de llenarse de PISS"
— Equipe de Pesquisa, Pablo Gómez Barreiro, Paolo Crosetto e Mark Hanson
A Escala do Problema
Quantificar o problema revela seu alcance alarmante. Uma análise extensiva de 100.000 edições especiais de periódicos acadêmicos descobriu um padrão perturbador: uma em cada oito dessas edições era dominada por artigos escritos pelo próprio editor da edição. Isso representa uma porção significativa da literatura acadêmica sendo produzida através do que equivale a autocitação e autopromoção.
As implicações financeiras são substanciais. O financiamento público de pesquisa, destinado a avançar o conhecimento, está sendo desviado para apoiar publicações que servem principalmente para impulsionar carreiras individuais em vez de contribuir com insights significativos para seus campos. Os pesquisadores por trás do conceito de PISS alertam que isso representa uma alocação incorreta de milhões de euros em dinheiro público.
"La piscina de la ciencia corre peligro de llenarse de PISS"
O alerta da equipe de pesquisa destaca um risco sistêmico: à medida que mais cientistas adotam essa prática, a credibilidade geral da pesquisa acadêmica pode ser minada. A metáfora sugere que a comunidade científica corre o risco de se afogar em um mar de publicações auto-servientes.
Impacto Institucional
O fenômeno do PISS se estende além de pesquisadores individuais para afetar instituições inteiras. Universidades e centros de pesquisa frequentemente avaliam acadêmicos com base em métricas de publicação, criando pressão institucional para participar desse sistema. Isso cria uma estrutura de incentivo perversa onde a quantidade supera a qualidade.
Vários fatores contribuem para a proliferação dessa prática:
- Sistemas de promoção acadêmica que priorizam contagens de publicação
- O surgimento de periódicos de acesso aberto com modelos de publicação rápida
- Recursos em declínio para processos de revisão por pares rigorosos
- Competição por financiamento de pesquisa limitado
Notavelmente, a análise identificou editores específicos onde esse padrão é particularmente prevalente. O modelo editorial de certas casas editoriais parece facilitar, em vez de desencorajar, o fenômeno do PISS através de suas práticas comerciais.
O escopo internacional do problema envolve pesquisadores de múltiplos países, incluindo Espanha, Itália e Canadá, sugerindo que isso não é isolado a qualquer sistema acadêmico único, mas representa um desafio global para a integridade da pesquisa.
O Contexto Mais Amplo
O surgimento do PISS reflete mudanças estruturais mais profundas na publicação acadêmica ao longo dos últimos dois anos. A mudança para modelos de acesso aberto, enquanto democratiza o conhecimento, também criou novos incentivos financeiros que priorizam volume. Os periódicos agora competem por submissões, às vezes baixando padrões para atrair conteúdo.
Essa tendência se cruza com preocupações mais amplas sobre reprodutibilidade e qualidade da pesquisa. Quando a publicação se torna um jogo de números, o próprio método científico pode ser comprometido. O fenômeno do PISS representa uma falha sistêmica em como a pesquisa é avaliada e recompensada.
O conceito também levanta questões sobre o papel de grandes organizações de pesquisa e agências de financiamento. Entidades como a CIA e a ONU financiam pesquisas significativas, mas seus mecanismos de avaliação podem inadvertidamente encorajar quantidade sobre qualidade. A desconexão entre objetivos de financiamento e práticas de publicação cria lacunas que podem ser exploradas.
Ultimamente, o fenômeno do PISS desafia o propósito fundamental da publicação acadêmica: avançar o conhecimento através de pesquisa rigorosa e transparente. Quando as publicações servem principalmente como moeda de carreira, toda a empresa científica está em risco.
Olhando para o Futuro
O conceito de PISS fornece uma estrutura para entender um problema que tem crescido à vista de todos. Ao dar um nome a esse fenômeno, os pesquisadores criaram uma ferramenta para discussão e reforma potencial. O próximo passo crítico envolve desenvolver métricas e políticas que priorizem a qualidade da pesquisa sobre a quantidade de publicação.
Abordar esse problema exigirá ação coordenada de múltiplos stakeholders. Universidades devem reconsiderar como avaliam pesquisadores, agências de financiamento precisam alinhar incentivos com qualidade, e editores devem implementar supervisão editorial mais forte. O objetivo não é eliminar edições especiais b Key Facts: 1. Três cientistas da Espanha, Itália e Canadá desenvolveram o conceito de PISS para descrever uma tendência crescente na publicação acadêmica onde pesquisadores publicam principalmente para impulsionar suas próprias carreiras. 2. Uma análise de 100.000 edições especiais de periódicos acadêmicos revelou que uma em cada oito era dominada por artigos escritos pelo próprio editor da edição. 3. Periódicos especializados que antes eram trimestrais ou mensais agora publicam edições especiais a cada poucas horas, criando o que críticos chamam de 'fábricas de conteúdo'. 4. A prática representa uma alocação significativa de recursos de pesquisa públicos, com milhões de euros sendo gastos em publicações que servem principalmente ao avanço individual de carreira em vez do progresso científico. FAQ: Q1: O que é o conceito de PISS? A1: PISS significa 'Published In Support of Self' (Publicado em Apoio Próprio), um termo criado por três cientistas para descrever a prática de pesquisadores publicarem estudos principalmente para inflar seus currículos em vez de contribuir com conhecimento científico significativo. Representa um problema sistêmico na publicação acadêmica moderna onde a quantidade frequentemente supera a qualidade. Q2: Quão difundido é esse fenômeno? A2: Uma análise de 100.000 edições especiais de periódicos acadêmicos descobriu que uma em cada oito era preenchida com artigos do próprio editor da edição. A tendência transformou periódicos de publicações trimestrais em veículos que às vezes liberam edições especiais a cada poucas horas, criando um modelo de negócios de milhão de euros. Q3: Quais são as consequências para a ciência? A3: O fenômeno do PISS corre o risco de minar a credibilidade da pesquisa acadêmica ao priorizar o avanço de carreira sobre o rigor científico. Representa um desperdício significativo de financiamento público de pesquisa e pode levar a um ecossistema científico inundado com publicações auto-servientes em vez de um genuíno avanço do conhecimento. Q4: Quem identificou esse problema? A4: O conceito foi desenvolvido pelo engenheiro espanhol Pablo Gómez Barreiro, o economista italiano Paolo Crosetto e o imunologista canadense Mark Hanson. Sua abordagem multidisciplinar destaca como o problema afeta vários campos de pesquisa em diferentes países e sistemas acadêmicos.










