Fatos Principais
- O Stars and Stripes tem origens que remontam à Guerra Civil e atende tropas em serviço ativo, famílias militares e veteranos em todo o mundo.
- O jornal distribuiu 6,2 milhões de exemplares no ano fiscal de 2024, com metade de seu financiamento vindo do orçamento do Pentágono.
- A publicação recebeu o prestigioso Prêmio George Polk em 2010 por expor esforços do Pentágono para perfilar jornalistas e influenciar a cobertura da guerra.
- O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, anunciou planos para mudar o foco do jornal para "combate, sistemas de armas, condicionamento físico, letalidade, sobrevivência".
- Funcionários começaram a buscar novo emprego em meio a relatos de que o Pentágono planeja substituir repórteres civis por pessoal em serviço ativo.
- Senadores democratas escreveram formalmente ao Secretário de Defesa apoiando a independência do jornal e as proteções da Primeira Emenda.
Resumo Rápido
Funcionários do histórico jornal Stars and Stripes enfrentam um futuro incerto após novas diretrizes do Pentágono. O órgão de notícias independente das forças armadas, que atende tropas desde a era da Guerra Civil, está agora no centro de um debate sobre independência editorial e influência política.
A controvérsia eclodiu quando o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, publicamente defendeu que o jornal mudasse seu foco. Funcionários atuais e antigos temem que essas mudanças possam comprometer a capacidade do jornal de responsabilizar a liderança militar enquanto serve as tropas que dependem de suas reportagens.
A Diretriz do Pentágono
A tensão começou quando o secretário de imprensa do Pentágono, Sean Parnell, publicou uma declaração no X delineando sua visão para a publicação. Ele declarou que o Stars & Stripes seria "personalizado para nossos combatentes" e deveria "redirecionar seu conteúdo longe de distrações woke".
Parnell especificou que o jornal deveria se concentrar exclusivamente em temas militares, afirmando que se concentraria em "combate, sistemas de armas, condicionamento físico, letalidade, sobrevivência e TODAS AS COISAS MILITARES". Ele rejeitou explicitamente o que caracterizou como "colunas de fofoca de Washington reutilizadas" e "reimpressões da Associated Press".
O anúncio pegou a redação completamente desprevenida. Erik Slavin, o editor-chefe, respondeu à declaração "surpreendente" com um memorando para os funcionários ansiosos. Na mensagem, ele defendeu a missão do jornal:
As pessoas que arriscam suas vidas em defesa da Constituição conquistaram o direito às liberdades de imprensa da Primeira Emenda. Não faremos concessões em servi-las com cobertura precisa e equilibrada, responsabilizando os oficiais militares quando necessário.
"As pessoas que arriscam suas vidas em defesa da Constituição conquistaram o direito às liberdades de imprensa da Primeira Emenda. Não faremos concessões em servi-las com cobertura precisa e equilibrada, responsabilizando os oficiais militares quando necessário."
— Erik Slavin, Editor-Chefe
Um Legado de Independência
Stars and Stripes opera sob um arranjo único que definiu sua identidade por décadas. Embora seja parcialmente financiado pelo orçamento do Pentágono, mantém um mandato do Congresso para operar independentemente. Essa estrutura permite que ele sirva como fonte de notícias e jornal comunitário para famílias militares em todo o mundo.
O alcance da publicação é substancial. No ano fiscal de 2024 apenas, distribuiu 6,2 milhões de jornais para tropas em serviço ativo, famílias militares e veteranos. O jornal é fornecido gratuitamente para militares deslocados em zonas de guerra e vendido por US$ 1 em bases na Europa e no Pacífico.
Manchetes recentes demonstram a cobertura diversa do jornal, incluindo:
- Yokota celebra rara cerimônia de tripla águia escoteira
- Guarda Costeira promete se recuperar de relatórios de assédio sexual
- Aliados partem para a Groenlândia
Com aproximadamente quatro dezenas de funcionários editoriais em todo o mundo, o órgão tem se orgulhado consistentemente em fornecer "notícias honestamente, justamente e objetivamente, sem opinião pessoal ou viés". Essa compromisso com a independência editorial sobreviveu a ameaças anteriores, incluindo um possível fechamento durante a primeira administração Trump.
Preocupações dos Funcionários e Medos de Emprego
O ambiente da redação tornou-se cada vez mais tenso desde o anúncio de Parnell. Funcionários relatam incerteza sobre seus futuros, com muitos expressando confusão sobre o que o Pentágono considera "woke".
Um funcionário atual compartilhou seu espanto, afirmando: "É difícil para mim entender isso". O Pentágono não forneceu exemplos específicos de cobertura problemática, deixando a redação especulando sobre quais mudanças podem ser necessárias.
A segurança no emprego tornou-se uma preocupação principal. Evidências de uma reestruturação iminente aparecem em novas perguntas de candidatura de emprego que perguntam como os jornalistas "ajudariam a avançar as ordens executivas do Presidente" e "melhorariam a eficiência do governo". Essas perguntas surgiram durante reformas federais recentes destinadas a impor alinhamento ideológico em agências.
Relatos do The Daily Wire sugerem que o Pentágono planeja staffar o Stars and Stripes com mais pessoal em serviço ativo, o que poderia resultar em demissões de repórteres civis. Funcionários já começaram a buscar novo emprego, com um dizendo ao Business Insider: "No meu íntimo, tenho uma sensação muito desconfortável sobre para onde isso está indo".
Credibilidade em Risco
O ombudsman do jornal, Jacqueline Smith, que trabalha para preservar a independência do órgão, descreveu a declaração de Parnell como "uma surpresa completa". Ela alertou que o controle direto do Pentágono sobre o conteúdo danificaria fundamentalmente a missão da publicação.
Se o Departamento de Defesa ou a Guerra começar a ditar o que a cobertura deve ser, o que as 'notícias' devem ser no Stars and Stripes, ele perde sua credibilidade e prejudica sua missão de fornecer notícias justas e imparciais à comunidade militar.
A preocupação se estende além da redação. Senadores democratas expressaram formalmente seu apoio à continuação da independência do jornal, escrevendo ao Secretário de Defesa que "o Congresso foi claro por décadas que o Stars and Stripes deve ser governado pelos princípios da Primeira Emenda e isolado de influência política".
As apostas são particularmente altas dado o histórico do jornal. Repórteres do Stars and Stripes receberam elogios recentes por sua cobertura do assassinato em 2020 da especialista do Exército Vanessa Guillen, fotografia focada em veteranos e reportagens sobre assédio sexual e impactos do suicídio em famílias militares. Em 2010, o órgão recebeu o prestigioso Prêmio George Polk por expor esforços do Pentágono para perfilar jornalistas e mudar a cobertura para visões mais favoráveis da guerra no Afeganistão.
Crise Mais Ampla na Mídia
Os desafios enfrentados pelo Stars and Stripes refletem uma crise maior no jornalismo militar. Funcionários antigos observam que outros grandes órgãos que cobrem assuntos militares já foram significativamente enfraquecidos.
Military Times passou por múltiplas rodadas de demissões que reduziram drasticamente sua capacidade de reportagem. Enquanto isso, Military.com foi vendido para uma empresa de private equity, resultando no esvaziamento de seu staff pesado em veteranos e encerrando efetivamente sua reportagem focada em responsabilidade.









