Fatos Principais
- O tratado New START expira em 5 de fevereiro, encerrando mais de 50 anos de acordos contínuos de controle de armas entre EUA e Rússia.
- O tratado limitava cada país a 1.550 ogivas nucleares estratégicas implantadas e 700 veículos de entrega, com mecanismos de verificação.
- O acordo foi originalmente assinado em 2010 durante a presidência de Dmitry Medvedev, que hoje serve como Vice-Presidente do Conselho de Segurança da Rússia.
- Após a expiração, ambas as nações não terão nenhum quadro formal para limitar armas estratégicas ou realizar inspeções de verificação pela primeira vez desde o início dos anos 1970.
- A terminação do tratado elimina canais diplomáticos estruturados que historicamente ajudaram a gerenciar crises e construir confiança entre as duas potências nucleares.
Um Prazo Histórico se Aproxima
O relógio está batendo em direção a um momento crucial na segurança internacional. Em 5 de fevereiro, o Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas — conhecido como New START — expirará oficialmente, concluindo um acordo histórico que governou os arsenais nucleares por mais de uma década.
Essa expiração marca a primeira vez em mais de 50 anos que os Estados Unidos e a Rússia operarão sem qualquer tratado formal limitando suas armas nucleares estratégicas. O fim deste acordo representa uma mudança significativa no cenário de segurança global, removendo o quadro diplomático que proporcionou estabilidade e transparência entre as duas maiores potências nucleares do mundo.
A terminação do tratado ocorre em um momento em que as relações diplomáticas entre Moscou e Washington se tornaram cada vez mais tensas, levantando preocupações sobre o futuro do controle de armas nucleares e o potencial para uma nova era de incerteza estratégica.
O Legado do Tratado
O tratado New START foi originalmente assinado em 2010 durante um período de renovação do engajamento diplomático entre as duas nações. O acordo foi negociado e assinado durante a presidência de Dmitry Medvedev, que hoje serve como Vice-Presidente do Conselho de Segurança da Rússia e lidera o partido governante Rússia Unida.
O tratado estabeleceu limites abrangentes para ogivas nucleares estratégicas implantadas e sistemas de entrega para ambos os países. Sob suas disposições, cada nação podia implantar não mais de 1.550 ogivas nucleares estratégicas e 700 veículos de entrega implantados, com mecanismos de verificação que incluíam inspeções no local e troca de dados.
Por mais de uma década, o acordo serviu como a pedra angular do controle bilateral de armas nucleares, fornecendo um quadro estruturado para gerenciar os maiores arsenais nucleares do mundo e reduzir o risco de cálculo estratégico errado.
"Problemas na esfera estratégica continuam a se acumular"
— Dmitry Medvedev, Vice-Presidente do Conselho de Segurança da Rússia
Um Vazio Diplomático
Quando o tratado expirar no próximo mês, ambas as nações enfrentarão uma situação sem precedentes. Pela primeira vez desde o início dos anos 1970, não haverá acordos formais governando armas nucleares estratégicas entre os Estados Unidos e a Rússia.
A expiração cria um duplo vazio na arquitetura de controle de armas:
- Sem limites legalmente vinculantes para ogivas nucleares estratégicas implantadas
- Sem mecanismos de verificação ou protocolos de inspeção
- Sem processo diplomático estabelecido para negociar novos acordos
- Sem medidas de transparência sobre o posicionamento de forças estratégicas
Essa ausência de restrições formais ocorre enquanto ambos os países continuam a modernizar suas forças nucleares. Sem as disposições de verificação do tratado, cada lado deve depender de meios técnicos nacionais para monitoramento, o que fornece menos certeza e transparência do que o regime de inspeção do tratado.
Crescentes Preocupações Estratégicas
Oficiais russos expressaram profunda preocupação com o ambiente de segurança em deterioração. Em uma entrevista recente, Dmitry Medvedev caracterizou a situação como aquela em que "problemas na esfera estratégica continuam a se acumular", sugerindo que a expiração do tratado é sintomática de desafios mais amplos na segurança internacional.
A ausência de um quadro diplomático para negociações de controle de armas é particularmente preocupante para os formuladores de políticas. Sem canais estabelecidos para diálogo e acordo, o risco de mal-entendidos e escalada aumenta, especialmente durante períodos de tensão geopolítica elevada.
A expiração também elimina o processo diplomático estruturado que historicamente ajudou a gerenciar crises e construir confiança entre as duas potências nucleares. Essa perda de mecanismos institucionalizados de diálogo pode dificultar o enfrentamento de futuros desafios de segurança e a prevenção do surgimento de novas corridas armamentistas.
Contexto Histórico
A situação atual representa uma mudança dramática em relação a décadas de esforços contínuos de controle de armas. Desde as primeiras Negociações de Limitação de Armas Estratégicas no início dos anos 1970, os Estados Unidos e a Rússia (e anteriormente a União Soviética) mantiveram algum tipo de acordo formal governando seus arsenais nucleares.
Este período de controle de armas contínuo incluiu múltiplos tratados e acordos, cada um construindo sobre quadros anteriores para criar camadas de estabilidade e previsibilidade. A expiração do New START efetivamente remove toda essa estrutura, deixando ambas as nações para navegar no cenário estratégico sem regras estabelecidas ou mecanismos de verificação.
A importância histórica deste momento não pode ser exagerada. Por mais de meio século, os acordos de controle de armas forneceram uma base para a estabilidade estratégica, mesmo durante períodos de tensão política. O fim desta era levanta questões fundamentais sobre o futuro da dissuasão nuclear e da arquitetura de segurança internacional.
Olhando para o Futuro
A expiração do tratado New START em 5 de fevereiro marca um momento divisor de águas na segurança internacional. Sem um acordo sucessor ou mesmo um quadro para negociações, tanto os Estados Unidos quanto a Rússia entram em território inexplorado em sua relação estratégica.
O futuro imediato provavelmente envolverá um aumento da dependência de capacidades de inteligência nacionais para monitorar forças estratégicas, pois os mecanismos de verificação do tratado não estarão mais disponíveis. Essa mudança pode levar a maior incerteza e potencial para interpretações erradas de desenvolvimentos militares.
Talvez a preocupação mais seja a ausência de qualquer processo diplomático estabelecido para abordar futuros problemas de controle de armas. Sem canais formais para negociação, o caminho a seguir para o controle de armas nucleares permanece incerto, deixando ambas as nações — e a comunidade internacional — para navegar em um ambiente de segurança cada vez mais complexo sem o quadro estabilizador que definiu as relações estratégicas por mais de cinco décadas.
Perguntas Frequentes
O que é o tratado New START?
O tratado New START foi um acordo bilateral de controle de armas entre os Estados Unidos e a Rússia assinado em 2010. Ele limitava cada país a 1.550 ogivas nucleares estratégicas implantadas e 700 veículos de entrega, com mecanismos de verificação que incluíam inspeções no local e troca de dados.
Por que a expiração do tratado é significativa?
A expiração marca a primeira vez em mais de 50 anos que os EUA e a Rússia operarão sem qualquer tratado formal limitando armas nucleares estratégicas. Isso cria um vazio diplomático sem mecanismos de verificação ou processo estabelecido para negociar novos acordos, aumentando a incerteza estratégica.
O que acontece após 5 de fevereiro?
Após a expiração, ambas as nações não terão limites formais para armas nucleares estratégicas e protocolos de verificação. Elas dependerão de mecanismos técnicos nacionais para monitoramento, e atualmente não há um quadro diplomático estabelecido para negociar novos acordos de controle de armas.
Quem assinou o tratado original?
O tratado New START foi assinado em 2010 durante a presidência de Dmitry Medvedev, que atualmente serve como Vice-Presidente do Conselho de Segurança da Rússia e líder do partido Rússia Unida.

