Fatos Principais
- O novo livro intitula-se 'La France au miroir de l'Amérique' e é publicado pela Grasset.
- Aquilino Morelle foi conselheiro do ex-presidente francês François Hollande.
- O ensaio argumenta que a ascensão do trumpismo e do Rassemblement nacional são fenômenos paralelos com uma causa comum.
- A solução proposta por Morelle é a criação de um 'populismo de esquerda' para contrabalançar a dinâmica política atual.
- A crítica central é que o moralismo progressista alienou os próprios eleitores de que precisa para vencer eleições.
Um Espelho do Outro Lado do Atlântico
Em um ensaio novo e convincente, o ex-conselheiro presidencial Aquilino Morelle apresenta um diagnóstico contundente do mal-estar político contemporâneo. Seu livro, La France au miroir de l'Amérique, publicado pela Grasset, dissecia as ascensões paralelas do movimento de Donald Trump nos Estados Unidos e do Rassemblement national de Marine Le Pen na França.
Morelle, que serviu como conselheiro próximo do ex-presidente francês François Hollande, argumenta que o verdadeiro catalisador dessa onda de direita não foi apenas a ansiedade econômica, mas um profundo retrocesso cultural. A tese central é que as forças progressistas, em vez de serem vítimas inocentes, cultivaram ativamente as condições para seu próprio desastre político através de uma marca específica de retórica moralizante.
O Erro de Cálculo Progressista
O cerne do argumento de Morelle repousa em um exame crítico da estratégia e comunicação progressista. Ele sustenta que um tom moralizante tornou-se o modo dominante da política progressista, criando uma alienação profunda e duradoura entre grandes segmentos da população. Essa abordagem, em vez de persuadir, terminou por condenar e dar sermões, construindo efetivamente um muro entre as elites progressistas e as comunidades da classe trabalhadora que alegavam representar.
Ao priorizar um conjunto específico de ditames culturais e sociais, o movimento criou involuntariamente um vácuo poderoso. Esse vácuo não foi preenchido por conservadores tradicionais, mas por uma nova raça de insurgentes populistas que dominaram a arte de usar a arrogância percebida do establishment como arma. A análise sugere um erro estratégico fundamental:
- Alienar bases eleitorais tradicionais com exigências culturais
- Substituir argumentos econômicos por julgamentos morais
- Criar uma identidade política baseada na exclusão
- Subestimar o retrocesso ao 'esclarecido' liderança
"O progressismo moralizante da esquerda fez a cama para a direita trumpista e do Rassemblement national."
— Aquilino Morelle, Autor e Ex-Consultor
Uma Paisagem Política Compartilhada
A abordagem comparativa do livro revela um padrão transatlântico perturbador. Morelle afirma que as dinâmicas políticas que impulsionaram Donald Trump à Casa Branca não são exclusivas do contexto americano. Em vez disso, encontram um eco direto e poderoso nas próprias convulsões políticas da França, particularmente na ascensão sustentada do Rassemblement national.
Essa trajetória compartilhada aponta para uma crise da esquerda tradicional. A perspectiva do autor é particularmente perspicaz dada sua própria formação política. Tendo servido no coração do executivo socialista francês, sua crítica carrega o peso da experiência de dentro. Ele vê uma esquerda que perdeu seu caminho, abandonando sua missão econômica central por uma cruzada cultural divisiva.
O progressismo moralizante da esquerda fez a cama para a direita trumpista e do Rassemblement national.
O Chamado por uma Nova Esquerda
Face a essa avaliação sombria, Morelle não se limita a diagnosticar o problema; ele propõe uma solução radical. A resposta, em sua visão, não é recuar ainda mais na ortodoxia liberal, mas abraçar um populismo de esquerda. Este não é um chamado à esquerda tradicional, mas a uma nova formação política que possa se reconectar com o povo em seus próprios termos.
Esse 'populismo de esquerda' proposto precisaria reorientar fundamentalmente suas prioridades. Teria que abandonar a elite cultural e suas preocupações para se concentrar nas preocupações materiais e dignitárias da maioria. O objetivo é construir um movimento político que fale sobre interesses compartilhados e identidade comum, em vez de um que divide através de julgamentos moralizantes e engenharia social. É um apelo por uma esquerda que seja mais uma vez a voz do povo, e não seu instrutor.
Principais Conclusões
O ensaio de Aquilino Morelle serve como um aviso profundo para movimentos progressistas em todo o mundo. A mensagem central é que o fracasso político é frequentemente autogerado, nascido de cegueira estratégica e um descolamento das realidades vividas. A ascensão da extrema-direita é apresentada não como uma força da natureza imparável, mas como uma consequência direta das próprias escolhas da esquerda.
O caminho a seguir, conforme delineado por Morelle, exige uma autoavaliação dolorosa e uma disposição para abandonar suposições de longa data. Para que a esquerda recupere sua relevância e poder, ela deve parar de dar sermões e começar a ouvir. O futuro da política progressista pode depender de sua capacidade de forjar uma nova conexão autêntica com as populações que frequentemente alienou.
Perguntas Frequentes
Qual é o principal argumento do novo livro de Aquilino Morelle?
O livro argumenta que o tom moralizante e elitista dos movimentos progressistas na França e nos Estados Unidos alimentou diretamente a ascensão do populismo de direita, especificamente o trumpismo e o Rassemblement nacional. Sugere que esses movimentos são uma reação direta aos fracassos progressistas.
Quem é Aquilino Morelle?
Aquilino Morelle é um conselheiro político e ensaísta que anteriormente serviu como conselheiro próximo do ex-presidente francês François Hollande. Seu novo livro baseia-se nessa experiência para analisar tendências políticas contemporâneas.
Qual solução o autor propõe?
Morelle pede o desenvolvimento de um 'populismo de esquerda.' Esta seria uma nova abordagem política que abandona a retórica moralizante e se reconecta com a classe trabalhadora em questões econômicas e dignitárias.
Qual é a conexão do livro entre França e EUA?
O livro usa o título 'La France au miroir de l'Amérique' (França no Espelho da América) para traçar paralelos diretos entre as dinâmicas políticas que levaram à eleição de Trump nos EUA e ao crescimento do Rassemblement nacional na França.








