Fatos Principais
- Mercè Ibarz apresentou sua nova memória 'Una noia a la ciutat' em um evento de clube de leitura, onde enfatizou que os livros pertencem aos seus leitores.
- A autora chegou a Barcelona em 1971, uma cidade que transformou fundamentalmente sua visão de mundo e identidade criativa.
- Sua memória explora a interseção de suas origens rurais em Saidí com suas experiências urbanas em Barcelona, criando uma cartografia da memória.
- O livro se centra em seu relacionamento com L., o homem que conheceu pouco depois de chegar a Barcelona e com quem compartilhou sua vida.
- Ibarz credita suas raízes rurais por tê-la feito escritora, enquanto reconhece que Barcelona lhe deu a força criativa para escrever.
- O evento contou com uma leitura do poema "When Great Trees Fall" de Maya Angelou, que explora temas de perda e transformação.
O Poder Transformador de uma Cidade
Em um recente evento de clube de leitura, a autora Mercè Ibarz estabeleceu um tom colaborativo desde o início. "Os livros pertencem aos leitores", declarou, convidando o público a falar mais do que ela. No entanto, à medida que a conversa avançava, ela gradualmente revelou as camadas intrincadas de sua obra mais recente, Una noia a la ciutat (Anagrama).
Esta nova publicação funciona como uma memória cartográfica, mapeando a geografia da memória e da emoção. Em seu cerne, está uma profunda exploração do amor – não apenas romântico, mas o afeto profundo por uma cidade que remodelou fundamentalmente sua visão de mundo. A narrativa traça sua jornada das raízes rurais para a identidade urbana, uma transformação que definiu tanto sua vida quanto sua voz literária.
A Chegada a Barcelona
O ano de 1971 marcou um momento crucial quando Ibarz chegou a Barcelona pela primeira vez. Isso não foi apenas uma mudança geográfica; foi o início de uma profunda metamorfose pessoal. A cidade tornou-se mais do que um cenário – ela moldou ativamente sua percepção do mundo e seu lugar nele.
Central para esta experiência urbana foi seu relacionamento com L.
, o homem que conheceu pouco depois de chegar. Sua conexão tornou-se a âncora emocional de seus anos em Barcelona, uma parceria que durou décadas e influenciou sua compreensão do amor em si. A memória entrelaça essas duas narrativas: a descoberta de uma cidade e a descoberta de um parceiro de vida.A estrutura do livro reflete esta jornada dupla, servindo tanto como história pessoal como exploração urbana. Cada capítulo navega pela interseção da memória privada e do espaço público, mostrando como as ruas, bairros e ritmos da cidade se tornaram inseparáveis de sua própria história.
"Os livros pertencem aos leitores"
— Mercè Ibarz, Autora
Raízes e Asas
Apesar da profunda influência de Barcelona, Ibarz mantém que seu núcleo criativo permanece ligado às suas origens. "La terra m'ha fet escriptora, la ciutat m'ha donat la força per escriure" (A terra me fez escritora, a cidade me deu força para escrever), ela explicou, ecoando um sentimento de seu livro. Esta dualidade captura a essência de sua identidade artística.
A paisagem rural de Saidí
, seu local de nascimento, forneceu o material fundamental para sua escrita. A conexão com a terra, com o lugar, com os ritmos da naturez – esses elementos formaram sua compreensão mais precoce da narrativa. No entanto, foi o ambiente urbano que ofereceu a distância necessária, a perspectiva e a energia criativa para transformar essas experiências fundamentais em literatura.Esta tensão entre origem e destino, entre o pastoral e o metropolitano, cria uma rica tensão em seu trabalho. A memória não simplesmente documenta uma vida; explora como diferentes geografias moldam a consciência e como a memória em si se torna uma forma de mapeamento.
Ecos Literários
O evento também contou com uma leitura do poema de Maya Angelou "When Great Trees Fall" (1928-2014), uma obra que ressoa com temas de perda, memória e transformação. As palavras de Angelou – "When great trees fall, rocks on distant hills tremble" – falam do impacto profundo de vidas significativas e dos espaços que deixam para trás.
A imaginação do poema de perturbação natural reflete a paisagem emocional que Ibarz navega em sua memória. Assim como Angelou descreve como "o ar se torna raro, estéril" quando grandes almas partem, Ibarz explora como certas perdas e partidas remodelam nossa geografia interna. A leitura serviu como um contraponto literário à sua própria narrativa de chegada e conexão.
Ambas as obras, embora diferentes em forma e origem, compartilham uma preocupação com como carregamos adiante a presença daqueles que nos moldaram – seja através do amor, da mentoria ou do simples fato de sua existência em nossas vidas.
A Cartografia da Memória
O que emerge da reflexão de Ibarz é uma visão da escrita como um ato de cartografia. Una noia a la ciutat não apenas narra eventos; mapeia o terreno emocional e psicológico de uma vida transformada pelo lugar. A cidade se torna um personagem, uma força, uma fonte de poder criativo.
A estrutura da memória – parte história pessoal, parte exploração urbana, parte história de amor – reflete a complexidade de como realmente experimentamos nossas vidas. Não vivemos em linhas retas ou narrativas simples, mas em camadas sobrepostas de memória, relacionamento e ambiente.
Para Ibarz, Barcelona representa não apenas uma localização, mas um estado de ser – uma forma de ver o mundo que foi forjada através de décadas caminhando em suas ruas, amando em seus espaços e encontrando sua voz em meio à sua energia. O livro se ergue como testemunho e convite: um convite aos leitores para mapear suas próprias cidades, seus próprios amores, suas próprias transformações.
O Diálogo Duradouro
A conversa no clube de leitura acabou voltando à sua premissa inicial: que os livros pertencem aos seus leitores. Ao compartilhar sua cartografia pessoal, Ibarz não reivindica uma verdade definitiva, mas oferece um mapa para outros navegarem seus próprios territórios. A memória se torna um espaço compartilhado onde memórias individuais se cruzam com a experiência coletiva.
O que permanece mais marcante é a reciprocidade entre escritor e lugar, entre autor e público. Assim como Barcelona deu a Ibarz a força para escrever, sua escrita dá aos leitores a força para examinar suas próprias relações com as cidades e pessoas que os moldaram. O diálogo continua além da página, nos espaços onde a memória encontra a imaginação.
No final, Una noia a la ciutat se ergue como um lembrete de que nossas histórias nunca são verdadeiramente nossas – são conversas entre de onde viemos, onde estamos e onde podemos ir a seguir.
"La terra m'ha fet escriptora, la ciutat m'ha donat la força per escriure"
— Mercè Ibarz, Autora
Perguntas Frequentes
Sobre o que é a nova memória de Mercè Ibarz?
'Una noia a la ciutat' é uma memória cartográfica que explora a chegada de Ibarz a Barcelona em 1971 e o amor que definiu sua vida. O livro mapeia a geografia emocional entre suas origens rurais em Saidí e sua transformação urbana na cidade.
Como Barcelona influenciou a escrita de Ibarz?
Barcelona forneceu a força criativa e a perspectiva necessárias para Ibarz escrever, enquanto suas raízes rurais lhe deram o material fundamental. A cidade se tornou tanto um personagem em sua memória quanto uma força que moldou sua forma de ver o mundo.
Quais temas a memória explora?
O livro explora temas de amor, memória, transformação e a relação entre lugar e identidade. Examina como as cidades moldam a consciência e como a memória em si se torna uma forma de mapear nossas vidas.
O que foi apresentado no evento do clube de leitura?
O evento incluiu uma apresentação da memória de Ibarz e uma leitura do poema "When Great Trees Fall" de Maya Angelou, que ressoa com temas de perda, memória e o impacto de vidas significativas.










