Fatos Principais
- Nos anos 1730, funcionários de gráficas parisienses orquestraram um enforcamento em massa de gatos de bairro após encenar um julgamento simulado.
- O evento foi registrado inicialmente por cronistas contemporâneos como uma história humorística ou anedótica, e não como uma crise histórica séria.
- Sociólogos e historiadores reinterpretaram posteriormente a chacina como uma ilustração significativa da crise de valores durante a Era do Iluminismo.
- A nova produção teatral de Matías Umpierrez intitula-se 'PLAY' e foca na investigação da natureza do ódio.
- Umpierrez acredita que a era atual de 'sobreinformação' tornou a sociedade cada vez mais apática.
A Chacina dos Gatos
Na Paris dos anos 1730, um evento bizarro e brutal se desenrolou que a maioria dos observadores contemporâneos descartou como mera anedota. Dois funcionários descontentes de uma gráfica, insatisfeitos com suas condições de trabalho, iniciaram uma caçada sistemática e uma chacina da população felina do bairro. Eles convenceram com sucesso seus colegas a se juntar a esta sombria cruzada, transformando uma reclamação de trabalho em um espetáculo público de violência contra animais.
Este episódio histórico estranho escalou para uma atrocidade completa. Os trabalhadores encenaram um julgamento simulado para os gatos capturados, condenando-os formalmente à morte antes de enforcá-los publicamente. Enquanto alguns cronistas da época registraram o evento com um senso de distanciamento sombrio e quase cômico, sua importância seria reinterpretada posteriormente por sociólogos e historiadores. Eles identificaram esta chacina não como uma simples curiosidade, mas como um profundo sintoma da crise de valores que caracterizou a Era do Iluminismo.
O Teatro como Investigação
O dramaturgo argentino Matías Umpierrez mergulha nestes cantos sombrios da história para iluminar o presente. Para Umpierrez, o palco é um laboratório onde qualquer material — seja da ficção ou da realidade — pode ser utilizado para construir argumentos poderosos. Seu processo criativo é impulsionado pela crença de que o passado contém chaves essenciais para entender nossa paisagem psicológica e social atual.
Seu último trabalho teatral, intitulado 'PLAY', leva esta abordagem investigativa ao seu extremo lógico. A produção vai além da simples reconstituição histórica para sondar ativamente a natureza do próprio ódio. Ao examinar as motivações por trás da chacina de gatos parisiense de 1730, Umpierrez cria uma estrutura para que o público confronte verdades desconfortáveis sobre dinâmicas de grupo, bode expiatório e a capacidade humana de crueldade.
"É importante incitar a curiosidade em uma época em que a sobreinformação nos tornou apáticos"
— Matías Umpierrez, Dramaturgo
Curiosidade vs. Apatia
A missão artística de Umpierrez está profundamente conectada a uma crítica do consumo de mídia moderna. Ele identifica um problema crítico na sociedade contemporânea: a inundação esmagadora de informação paradoxalmente levou a uma apática generalizada. Neste ambiente, eventos chocantes são normalizados e o contexto histórico é frequentemente perdido, espelhando como a chacina de gatos parisiense foi vista inicialmente como uma história trivial em vez de um aviso social.
"É importante incitar a curiosidade em uma época em que a sobreinformação nos tornou apáticos"
Ao apresentar ao público um evento histórico que é simultaneamente horrível e absurdo, Umpierrez visa romper com esta dessensibilização. O objetivo de 'PLAY' não é apenas contar uma história estranha, mas incitar a curiosidade
. Ele desafia os espectadores a olharem mais de perto as narrativas que moldam nosso mundo e a questionarem as forças subjacentes que impulsionam o comportamento coletivo, garantindo que as lições do passado não sejam perdidas no ruído do presente.Ecos da História
O trabalho de Matías Umpierrez serve como um lembrete vital de que a história não é uma coleção estática de fatos, mas um recurso vivo para entender a condição humana. A chacina de gatos de 1730, outrora uma nota de rodapé na história parisiense, torna-se uma poderosa metáfora em suas mãos para examinar os mecanismos do ódio e da agitação social. 'PLAY' demonstra como a investigação teatral pode descobrir as verdades emocionais e psicológicas que as histórias oficiais frequentemente ignoram.
Por fim, Umpierrez oferece um caminho através da névoa da saturação de informação moderna. Ao se envolver com material complexo e desafiador do passado, o público é convidado a recuperar sua capacidade de espanto e pensamento crítico. Seu trabalho sugere que o antídoto para a apatia contemporânea reside em um compromisso renovado de fazer perguntas difíceis e buscar uma compreensão mais profunda, uma história histórica de cada vez.
Perguntas Frequentes
Em qual evento histórico o jogo de Matías Umpierrez, 'PLAY', se foca?
A peça investiga a chacina de gatos de Paris de 1730, onde funcionários de gráficas caçaram, julgaram e enforcaram os gatos do bairro. Este evento foi visto inicialmente como uma anedota menor, mas reinterpretado posteriormente como um sinal da crise de valores durante a Era do Iluminismo.
Por que Umpierrez acredita que esta história é relevante hoje?
Ele argumenta que a sociedade moderna sofre de sobreinformação, o que levou a uma apatia generalizada. Ao examinar eventos históricos como a chacina dos gatos, ele visa provocar curiosidade e incentivar um pensamento crítico mais profundo sobre as dinâmicas sociais atuais.
Qual é a abordagem de Umpierrez para o teatro?
Ele vê o teatro como uma ferramenta de investigação, usando elementos tanto da ficção quanto da realidade para construir argumentos. Seu trabalho busca explorar temas complexos, como o ódio, através da lente da análise histórica e sociológica.









