Fatos Principais
- O livro do historiador Christopher E. Forth, 'Grasa', explora a história secular da discriminação por gordura na sociedade ocidental.
- O filósofo do século XVI Nicolò Vito di Gozze propôs fechar as portas da cidade para pessoas com sobrepeso e monitorar os corpos de jovens.
- Di Gozze sugeriu tempos específicos de desmame para bebês para evitá-los de ficarem muito gordinhos, com cronogramas diferentes para meninos e meninas.
- O livro revela que as práticas históricas de 'shaming' de gordura eram frequentemente enquadradas como medidas de saúde pública em vez de preconceito.
- A pesquisa de Forth conecta as atitudes contemporâneas sobre peso corporal à dominância cultural histórica da Europa.
- O livro foi publicado na Espanha pela Plasson e Bartleboom em novembro, oferecendo uma análise histórica abrangente.
Um Eco Histórico Profundo
Quando o ex-presidente Donald Trump anunciou uma proposta para fechar as fronteiras dos EUA para migrantes com obesidade, a declaração gerou controvérsia imediata. No entanto, uma olhada mais atenta na história revela que esse tipo de pensamento discriminatório está longe de ser moderno.
O conceito de usar o peso corporal como critério de exclusão tem raízes que se estendem por séculos, muito antes dos debates políticos contemporâneos. Essa perspectiva histórica oferece uma lente crucial para entender as atitudes atuais em relação à imagem corporal e à imigração.
De acordo com a análise histórica, a prática de julgar indivíduos com base em sua aparência física é um fio persistente na cultura ocidental, desafiando a noção de que tais vieses são puramente um produto dos tempos recentes.
O Plano do Século XVI
O precedente histórico para tais políticas exclusivas pode ser rastreado até o século XVI. Em seu livro Grasa, o historiador Christopher E. Forth descobre os escritos do filósofo Nicolò Vito di Gozze, que propôs medidas radicais para controlar o peso corporal.
Di Gozze argumentou que as cidades deveriam fechar suas portas para indivíduos com sobrepeso e implementar um monitoramento detalhado dos corpos de jovens. Sua justificativa foi enquadrada como um imperativo de saúde pública, insistindo que nenhum esforço deveria ser poupado para promover o que ele considerava hábitos saudáveis.
As propostas do filósofo se estenderam aos aspectos mais íntimos da vida, incluindo cronogramas específicos para o desmame de bebês para evitá-los de ficarem muito gordinhos. Ele sugeriu 18 meses para meninas e dois anos para meninos, revelando uma forma precoce de controle corporal baseado no gênero.
Talvez o mais impressionante, di Gozze se inspirou no ideal mítico de Esparta, propondo que qualquer jovem que não alcançasse uma figura esbelta aos 14 anos de idade deveria ser deportado.
"Se não fosse tão preocupante, daria risada que um homem gordo como Trump discrimine a gordura de mulheres e pessoas de cor"
— Christopher E. Forth, Historiador
A Dominância Histórica da Europa
A pesquisa de Christopher E. Forth em Grasa conecta essas atitudes históricas a um padrão mais amplo de dominância cultural europeia. O livro traça a relação complexa da humanidade com a gordura corporal, demonstrando que a discriminação por gordura não é uma invenção moderna.
Em vez disso, esses vieses emergiram durante períodos em que a Europa estava estabelecendo sua influência global, moldando normas culturais que persistem hoje. A análise histórica sugere que as atitudes contemporâneas em relação ao peso estão profundamente enraizadas em séculos de prática cultural.
O livro, publicado na Espanha pela Plasson e Bartleboom em novembro, oferece um exame abrangente de como as sociedades historicamente viram e regularam o tamanho do corpo.
"Se não fosse tão preocupante, daria risada que um homem gordo como Trump discrimine a gordura de mulheres e pessoas de cor"
Essa observação destaca a complexa ironia da retórica de 'shaming' corporal, onde indivíduos que podem ser alvo de críticas se tornam agentes de discriminação contra outros.
Paralelos Modernos e Ironia
O contexto histórico fornecido pelo trabalho de Forth cria um contraste marcante com a retórica política contemporânea. A proposta de restringir a imigração com base na obesidade representa uma aplicação moderna de preconceitos antigos.
O que torna isso particularmente notável é a continuidade histórica desses padrões discriminatórios. Desde os filósofos europeus do século XVI até as figuras políticas do século XXI, o uso do peso corporal como marcador de merecimento persistiu ao longo dos séculos.
O exame do livro sobre essa história revela como essas atitudes estão profundamente enraizadas na cultura ocidental, sugerindo que abordar a discriminação por gordura moderna requer entender suas fundações históricas.
Essa perspectiva desafia os leitores a considerar como os vieses históricos continuam a moldar os debates de políticas contemporâneas e as atitudes sociais.
Principais Conclusões
A pesquisa histórica apresentada em Grasa oferece várias percepções importantes para entender os debates atuais sobre imagem corporal e política de imigração.
Primeiro, demonstra que a discriminação por gordura não é um fenômeno recente, mas tem raízes profundas na história europeia. Segundo, mostra como figuras históricas usaram retórica semelhante para justificar práticas exclusivas.
Finalmente, a pesquisa fornece uma estrutura para analisar políticas contemporâneas através de uma lente histórica, revelando padrões que de outra forma pareceriam isolados ou inéditos.
Entender essas conexões históricas é essencial para desenvolver abordagens mais informadas tanto para questões de imagem corporal quanto para políticas de imigração no mundo moderno.
Perguntas Frequentes
Qual é o principal argumento do livro 'Grasa' de Christopher E. Forth?
O livro argumenta que a discriminação por gordura não é um fenômeno moderno, mas tem raízes históricas profundas na cultura europeia. Forth traça como as atitudes em relação ao peso corporal foram usadas para justificar exclusão e controle ao longo da história, particularmente durante períodos de dominância cultural europeia.
Qual exemplo histórico o livro fornece de discriminação por gordura?
O livro destaca o filósofo do século XVI Nicolò Vito di Gozze, que propôs fechar as portas da cidade para pessoas com sobrepeso e implementar um monitoramento estrito dos corpos de jovens. Ele até sugeriu tempos específicos de desmame para bebês para evitá-los de ficarem muito gordinhos e defendeu a deportação de jovens que não fossem esbeltos aos 14 anos de idade.
Como esse contexto histórico se relaciona com a política contemporânea?
A pesquisa histórica fornece perspectiva sobre propostas modernas como restringir a imigração com base na obesidade. Mostra que esse tipo de pensamento discriminatório tem precedentes em práticas centenárias, sugerindo que as políticas contemporâneas podem refletir vieses culturais arraigados em vez de novos desenvolvimentos.
Qual é a importância da publicação do livro?
Publicado na Espanha pela Plasson e Bartleboom, o livro oferece um exame abrangente da relação da humanidade com a gordura corporal. Ele fornece contexto histórico que desafia suposições modernas sobre imagem corporal e discriminação, tornando-o relevante para debates sociais e políticos atuais.









