Fatos Principais
- Luke Ross, criador da estrutura de mod R.E.A.L. VR, auferiria cerca de US$ 20.000 por mês via Patreon, que atua como um paywall para seu trabalho.
- O mod VR de Cyberpunk 2077 foi estendido para suportar o jogo em fevereiro de 2022, com Ross tendo contatado anteriormente a CD Projekt Red sobre uma porta oficial.
- O VP de Desenvolvimento de Negócios da CD Projekt Red, Jan Rosner, afirmou que a empresa emitiu o strike DMCA porque o mod pago violava suas diretrizes de conteúdo para fãs.
- A estrutura de software de Ross suporta mais de 40 jogos diferentes em várias engines, sem conter código ou assets dos próprios jogos.
- Após o strike DMCA, Ross afirma que os usuários começaram a piratear o mod, dizendo que o fazem para "puni-lo" por quebrar os termos de serviço do desenvolvedor.
Resumo Rápido
Uma disputa de alto perfil entre um modder e um desenvolvedor de jogos tomou um rumo dramático, com o criador afirmando que os usuários agora estão pirateando seu software como forma de punição. Luke Ross, conhecido por seus mods VR R.E.A.L. para títulos populares, viu sua conversão VR de Cyberpunk 2077 removida de sua página do Patreon após um strike DMCA da CD Projekt Red.
A situação se escalou quando Ross afirmou que, em vez de apoiar sua decisão de lutar contra a remoção, um segmento da comunidade começou a distribuir ilegalmente o mod. Essa reação veio depois que Ross se recusou a tornar o mod gratuito para cumprir os termos de serviço do desenvolvedor, levando a um debate complexo sobre direitos de propriedade intelectual, compensação de modders e expectativas da comunidade.
O Strike DMCA
O conflito começou em 9 de janeiro de 2026, quando o Patreon alertou Luke Ross sobre um aviso DMCA da CD Projekt Red. O aviso visava seu mod VR de Cyberpunk 2077, que ele já havia retirado de sua plataforma. Ross descreveu ter "absolutamente nenhum poder de decisão no assunto", notando que o Patreon já havia cumprido o pedido e tornado o mod inacessível.
Após a retirada, Ross tentou abrir negociações com o desenvolvedor para encontrar uma "solução mutuamente benéfica". No entanto, ele relatou que a CD Projekt Red respondeu com uma posição firme, afirmando que ele precisava cumprir seus termos de serviço. De acordo com Ross, não houve "negociação, nenhum comentário sobre minhas propostas, nenhum interesse, por exemplo, em saber quantos de seus usuários seriam afetados pela remoção súbita".
O problema central, como esclarecido por Jan Rosner, VP de Desenvolvimento de Negócios da CD Projekt Red, foi a monetização do mod. Rosner explicou que a empresa emitiu o strike porque o mod VR era um produto pago, o que viola suas diretrizes de conteúdo para fãs.
Nós nunca permitimos a monetização de nossa IP sem nossa permissão direta e/ou um acordo em vigor.
Rosner afirmou ainda que a empresa havia entrado em contato com Ross, informando-o que o mod precisava ser tornado gratuito para todos ou removido completamente.
"Eu tive absolutamente nenhum poder de decisão no assunto, porque como é a norma nesses casos (pelo menos para o Patreon), a equipe do Patreon já havia cumprido o pedido e retirado meu mod por iniciativa própria, tornando-o inacessível." — Luke Ross, Criador
Um Choque de Definições
A disputa depende de um desacordo fundamental sobre a natureza do software. A CD Projekt Red classifica o mod como "conteúdo de fã", sujeito a suas diretrizes. No entanto, Luke Ross contesta fortemente essa caracterização, insistindo que seu trabalho é software independente que não infringe os direitos de propriedade intelectual do desenvolvedor.
Ross argumenta que sua estrutura VR suporta mais de 40 jogos construídos em várias engines e contém "absolutamente zero código ou assets" de Cyberpunk 2077. Ele traçou uma comparação com outras ferramentas de software, sugerindo que rotular seu mod como obra derivada é equivalente a afirmar que utilitários de captura de tela violam o copyright simplesmente porque processam imagens na tela.
Eu sinto muito, mas não acredito que você esteja em seus direitos ao exigir que meu software precise ser gratuito. Não é 'obra derivada' ou 'conteúdo de fã'.
Quando questionado se tornaria o mod gratuito para cumprir os termos, Ross expressou hesitação. Ele notou que criar uma versão que suporta apenas Cyberpunk 2077 seria uma "tarefa não trivial" devido à complexidade de sua estrutura multi-jogos. Além disso, ele se preocupou com a reação de seus assinantes do Patreon, que apoiaram seus esforços de desenvolvimento por anos.
A Reação Pirata
Enquanto o debate se desenrolava, Luke Ross relatou que a situação evoluiu para um "ponto irrelevante" devido a um aumento na pirataria. Ele afirma que os usuários, temendo a perda do suporte VR para seus jogos favoritos, começaram a trocar ilegalmente o mod pela internet. De acordo com Ross, esses indivíduos estão afirmando abertamente que, como ele não estava cumprindo os termos de serviço da CD Projekt Red, seu trabalho agora é "alvo justo". Ele resumiu o sentimento como um desejo de puni-lo pela remoção do mod.
Comentários online parecem apoiar as alegações de Ross. Um usuário de mídia social afirmou: "Fico feliz que algumas pessoas encontraram maneiras de piratear seus mods ruins, ele merece". Outro usuário afirmou estar trabalhando para transferir os arquivos do mod para seu próprio PC com a intenção de liberar o mod VR de graça.
Comentários adicionais criticaram a decisão de Ross de não mudar para um modelo baseado em doações, que alguns desenvolvedores permitem. Um comentarista notou: "Ele já fez seu dinheiro, ele tinha opções, e ele ainda escolheu o caminho nuclear. O resultado final é que os jogadores perdem a única experiência real de VR em Cyberpunk". Outro ex-apoiador escreveu na página do Patreon de Ross: "Eles lhe deram uma maneira de mantê-lo vivo, e você decidiu ser um ganancioso sobre isso... Eu vou apenas roubar seus mods a partir de agora".
Principais Conclusões
Este incidente destaca a tensão contínua entre desenvolvedores de jogos e a comunidade de mods em relação à monetização e à propriedade intelectual. O conflito central gira em torno de se o trabalho de um modder constitui conteúdo de fã derivado ou software independente, e em que ponto ele requer licenciamento oficial ou permissão.
As consequências demonstram como o sentimento da comunidade pode mudar rapidamente. O que começou como uma disputa legal sobre os termos de serviço transformou-se em um desafio de relações públicas para o criador do mod, com alguns usuários recorrendo à pirataria como forma de protesto contra sua postura. A situação serve como um estudo de caso no delicado equilíbrio entre proteger a IP e fomentar a boa vontade da comunidade.
Em última análise, tanto o desenvolvedor quanto o modder traçaram linhas claras na areia. A CD Projekt Red afirmou seu direito de controlar a monetização de sua IP, enquanto Luke Ross defendeu a independência de seu software. A onda de pirataria resultante sugere que, no tribunal da opinião pública, o resultado pode ser mais complexo do que uma simples decisão legal.
"Nós nunca permitimos a monetização de nossa IP sem nossa permissão direta e/ou um acordo em vigor." — Jan Rosner, VP de Desenvolvimento de Negócios da CD Projekt Red
"Eu sinto muito, mas não acredito que você esteja em seus direitos ao exigir que meu software precise ser gratuito." — Luke Ross, Criador










