Independência do Bitcoin: CEO da Coinbase confronta banqueiro francês
Bitcoin Magazine8h ago
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Principais Fatos
O CEO da Coinbase, Brian Armstrong, desafiou publicamente o chefe do Banco da França durante um painel do Fórum Econômico Mundial em Davos.
O governador François Villeroy de Galhau expressou ceticismo em relação ao Bitcoin, preferindo bancos centrais com mandatos democráticos em relação aos que chamou de "emissores privados".
Armstrong argumentou que o Bitcoin não é emitido por uma entidade privada, mas é um protocolo descentralizado controlado por nenhum país, empresa ou indivíduo.
O debate ocorreu durante um painel focado em tokenização, um tema que normalmente domina as conversas no Fórum Econômico Mundial.
Em eventos separados em Davos, Armstrong reiterou sua previsão de que o Bitcoin poderia atingir US$ 1 milhão até 2030, citando seu fornecimento fixo de 21 milhões de moedas.
Armstrong também criticou um projeto de lei de criptomoedas pendente no Senado dos EUA, afirmando que é pior do que o status quo atual e prejudicial à inovação.
Um Choque de Filosofias Monetárias
O Fórum Econômico Mundial em Davos é normalmente um palco para o consenso entre as elites financeiras globais. No entanto, este ano o encontro apresentou uma confrontação ideológica marcante que atingiu o cerne da política monetária moderna. Em um painel dedicado ao futuro da tokenização, um desafio direto foi lançado contra a própria fundação da moeda descentralizada.
O CEO da Coinbase Brian Armstrong tomou uma posição pública contra o ceticismo de François Villeroy de Galhau, o governador do Banco da França. O debate centrou-se em uma questão fundamental: o que proporciona verdadeira independência monetária no século XXI? A resposta de Armstrong foi inequívoca, posicionando o Bitcoin não como um ativo privado, mas como um protocolo soberano.
O Debate em Davos
A troca de palavras se desenrolou após o governador Villeroy de Galhau questionar a credibilidade do Bitcoin, afirmando que deposita mais confiança em bancos centrais independentes com mandatos democráticos do que nos que descreveu como "emissores privados" do Bitcoin. Sua posição reflete uma visão tradicional onde a autoridade monetária é legitimada através de instituições estatais e prestação de contas públicas.
Armstrong contestou diretamente essa caracterização, enfatizando uma distinção crucial. Ele argumentou que BTC não tem emissor algum, descrevendo-o como um protocolo descentralizado não controlado por nenhum país, empresa ou indivíduo. Essa estrutura, ele sustentou, eleva sua independência além da dos bancos centrais tradicionais.
"O Bitcoin não tem uma impressora de dinheiro. É mais independente."
Esta declaração encapsulou o cerne do argumento de Armstrong: o limite de fornecimento predeterminado do Bitcoin de 21 milhões de moedas remove o elemento humano da expansão monetária que ele vê como uma vulnerabilidade nos sistemas controlados pelo Estado.
""O Bitcoin não tem uma impressora de dinheiro. É mais independente.""
— Brian Armstrong, CEO da Coinbase
Contrapeso Monetário
Armstrong enquadrara a discussão em um contexto mais amplo de competição monetária. Ele argumentou que a existência de uma alternativa descentralizada às moedas emitidas pelo Estado é saudável para o sistema financeiro global. Ao fornecer uma verificação sobre os gastos excessivos do governo, o fornecimento fixo do Bitcoin serve a uma função semelhante ao papel histórico do ouro como reserva de valor durante períodos de incerteza.
O painel, que se concentrou na tokenização, forneceu um cenário inesperado para este debate. As conversas no Fórum Econômico Mundial frequentemente giram em torno de infraestrutura de blockchain e moedas digitais de bancos centrais (CBDCs). A intervenção de Armstrong deslocou o foco de volta para a proposta de valor original do Bitcoin como um sistema de dinheiro eletrônico ponto a ponto independente de qualquer autoridade central.
O governador Villeroy de Galhau manteve sua posição, afirmando que a confiança deriva, em última análise, da independência do banco central combinada com a prestação de contas aos cidadãos. Isso destaca a divergência fundamental entre um sistema construído sobre governança institucional e um construído sobre certeza criptográfica.
Previsões de Preço e Política
Separado do debate do painel, Armstrong chamou a atenção em outros eventos de Davos com sua previsão de preço de longo prazo. Ele reiterou sua crença de que Bitcoin poderia atingir US$ 1 milhão até 2030. Ele instou os investidores a se concentrarem em tendências de longo prazo, como o fornecimento fixo de 21 milhões e a demanda global crescente, em vez da volatilidade de curto prazo.
Essa previsão foi feita mesmo enquanto o mercado mais amplo de criptomoedas experimentava turbulência significativa, com preços oscilando perto de US$ 89.000 e o mercado perdendo US$ 160 bilhões em um único dia. O otimismo de Armstrong permaneceu inabalado por essas flutuações imediatas.
Na frente regulatória, Armstrong também abordou o cenário legislativo dos EUA. Ele afirmou que a Coinbase não pode mais apoiar o atual projeto de lei de estrutura de mercado de criptomoedas do Comitê Bancário do Senado, chamando-o de "pior do que o status quo" e prejudicial à inovação. Essa crítica segue o recente adiamento do debate sobre o marco "Lei da Clareza", um projeto destinado a estabelecer um quadro regulatório para criptomoedas definindo quando os tokens são valores mobiliários ou commodities.
O Futuro do Dinheiro
A confrontação em Davos sublinha uma divisão crescente no sistema financeiro global. De um lado estão instituições estabelecidas como o Banco da França, que derivam sua autoridade de mandatos democráticos e estabilidade histórica. Do outro estão protocolos descentralizados como o Bitcoin, que oferecem independência através do código em vez da governança.
Os argumentos de Armstrong destacam uma visão onde o Bitcoin atua não como um substituto para a moeda fiduciária, mas como um sistema paralelo que impõe disciplina às autoridades monetárias tradicionais. À medida que o debate sobre tokenização e ativos digitais continua, os princípios fundamentais de confiança, independência e fornecimento permanecerão na vanguarda da conversa.
O choque entre essas duas filosofias sugere que o caminho a frente para as finanças globais será definido por como esses modelos concorrentes coexistem e influenciam uns aos outros.
""Emissores privados" do Bitcoin."
— François Villeroy de Galhau, Governador do Banco da França
Perguntas Frequentes
Qual foi o principal tópico de debate entre Brian Armstrong e François Villeroy de Galhau?
O tópico central foi a credibilidade e a independência do Bitcoin. O governador Villeroy de Galhau questionou o valor do Bitcoin, expressando maior confiança em bancos centrais com mandatos democráticos, enquanto Armstrong defendeu a natureza descentralizada do Bitcoin como uma forma superior de independência.
Qual argumento específico Armstrong fez sobre o fornecimento do Bitcoin?
Armstrong enfatizou que o Bitcoin tem um fornecimento fixo de 21 milhões de moedas e nenhuma 'impressora de dinheiro', o que ele argumentou que o torna mais independente do que os bancos centrais que podem expandir a oferta monetária. Ele comparou essa função ao papel histórico do ouro como uma verificação sobre os gastos excessivos do governo.
Quais outros tópicos Armstrong abordou no Fórum Econômico Mundial?
Além do debate, Armstrong reiterou sua previsão de preço de longo prazo de US$ 1 milhão para o Bitcoin até 2030. Ele também criticou um projeto de lei de estrutura de mercado de criptomoedas do Senado dos EUA, chamando-o de prejudicial à inovação e pior do que o status quo regulatório atual.