Fatos Principais
- Os anos sabáticos pagos continuam raros nos EUA, com apenas 7% das empresas oferecendo-os em 2023, contra 5% em 2019.
- Um estudo revisado por pares de 2022 com 50 profissionais encontrou que todos os entrevistados retornaram como melhores líderes após tirar um longo período de folga.
- Em 2025, os benefícios de folga ficaram em segundo lugar como prioridade para trabalhadores, atrás apenas de benefícios de saúde, pelo quarto ano consecutivo.
- O psicólogo organizacional David Burkus pesquisou anos sabáticos desde 2015, documentando seu impacto no bem-estar dos funcionários e na dinâmica das equipes.
- Uma editora de revista na casa dos 30 anos transformou um ano planejado de folga em um período de dois meses que levou a uma promoção para o cargo de seu chefe.
- Pesquisas indicam que os melhores momentos para anos sabáticos coincidem com transições naturais da vida, incluindo lua de mel, fase de "ninho vazio" e etapas pré-aposentadoria.
Resumo Rápido
Na casa dos 30 anos, uma editora de revista se encontrava completamente esgotada — lidando com longas horas, prazos iminentes e a pergunta persistente sobre ter filhos. Ela redigiu um e-mail de demissão, pronta para abandonar sua carreira por completo.
Quando seu chefe a chamou, a conversa tomou um rumo inesperado. Em vez de aceitar sua demissão, o chefe ofereceu um compromisso: "Tire um tempo de folga", ela disse. "Volte para gerenciar um novo lançamento mais tarde este ano."
Essa breve pausa se tornou uma experiência transformadora. O que começou como um retiro tranquilo de ioga perto de Kerala, na Índia, evoluiu para uma aventura pela Indonésia — escalando o Monte Bromo e viajando de moto por Yogyakarta. Não era um ano sabático tradicional, mas foi longo o suficiente para redefinir completamente sua perspectiva.
No ano seguinte, ela assumiu o cargo de seu chefe, liderando a mesma equipe criativa que quase havia abandonado. Essa experiência cristalizou uma poderosa constatação: o tempo de folga não precisa atrapalhar uma carreira — pode redefini-la.
Além do Ano Sabático do Estudante
O conceito tradicional de um ano sabático — geralmente tirado por estudantes entre o ensino médio e a faculdade — evoluiu. Hoje, profissionais estabelecidos estão cada vez mais se afastando de suas carreiras no auge de seu potencial de ganho.
Esses não são jovens de 20 e poucos anos ainda encontrando seu caminho. São líderes de meia carreira, executivos e especialistas que construíram carreiras substanciais, mas se questionam sobre sua trajetória.
Como um profissional observou: "Eu não era um estudante com poucas obrigações ou um jovem de 20 e poucos anos que não havia se estabelecido em uma carreira. Eu era um profissional estabelecido me afastando quando as apostas eram altas."
Essa mudança representa uma mudança fundamental na forma como a sociedade vê as pausas na carreira. Em vez de serem vistas como um desvio, as longas folgas são cada vez mais vistas como uma jogada estratégica de carreira — uma chance de ganhar perspectiva, desenvolver novas habilidades e retornar com um propósito renovado.
"Tire um tempo de folga. Volte para gerenciar um novo lançamento mais tarde este ano."
— Ex-chefe da editora de revista
A Pesquisa por Trás da Pausa
David Burkus, psicólogo organizacional e autor, estuda anos sabáticos desde 2015. Suas pesquisas revelam benefícios convincentes que vão muito além do bem-estar pessoal.
"As pessoas relatam melhor saúde mental e física, maior confiança e um maior senso de propósito após uma longa pausa."
Burkus também identificou vantagens significativas para os empregadores. Equipes que experimentam a ausência de um colega frequentemente se capacitam de forma cruzada e compartilham conhecimento de forma mais eficaz, tornando-se menos dependentes de algumas pessoas "indispensáveis".
Um estudo revisado por pares de 2022 publicado na Academia de Gestão entrevistou 50 profissionais que haviam tirado longos períodos de folga. Os resultados foram impressionantes: todos os entrevistados disseram que retornaram como melhores líderes.
DJ DiDonna, professor sênior da Harvard Business School e coautor do estudo, observou que cada pessoa que ele entrevistou desejava ter tirado um ano sabático mais cedo em sua carreira.
A Economia do Tempo de Folga
Afastar-se do trabalho por um longo período tem implicações financeiras reais. Rendimentos mais baixos, poupança interrompida e crescimento composto mais lento são riscos reais que os profissionais devem ponderar com cuidado.
No entanto, para muitos, os benefícios de longo prazo superam esses custos de curto prazo. O retorno ao trabalho frequentemente traz maior produtividade, melhor tom de decisão e direção de carreira mais clara.
Apesar dessas vantagens em potencial, os anos sabáticos pagos continuam raros nos Estados Unidos. De acordo com dados da Society for Human Resource Management:
- Apenas 5% das empresas ofereciam anos sabáticos pagos em 2019
- Isso subiu para 7% até 2023
- A demanda dos funcionários continua superando a oferta dos empregadores
Curiosamente, a demanda por benefícios de folga não mostra sinais de desaceleração. Na pesquisa de benefícios da SHRM de 2025, a folga foi a segunda maior prioridade para trabalhadores — atrás apenas de benefícios de saúde — pelo quarto ano consecutivo.
Encontrando o Momento Certo
Quando é o momento ideal para se afastar? Pesquisas sugerem que os melhores momentos para um ano sabático frequentemente coincidem com transições naturais da vida.
DiDonna identificou vários momentos-chave quando longas pausas fazem sentido particular:
- Durante o período de lua de mel após o casamento
- Quando os filhos deixam o lar (a fase do "ninho vazio")
- Na etapa "crepuscular" da carreira antes da aposentadoria
Esses pontos de transição oferecem oportunidades naturais para reflexão e redirecionamento. A experiência da editora de revista demonstra esse princípio — sua pausa ocorreu durante um período de questionamento pessoal sobre o próximo capítulo da vida.
O resultado não foi apenas uma renovação pessoal. Ela retornou a uma promoção, assumindo o cargo de seu ex-chefe e liderando a equipe que quase abandonara. A pausa não apenas preservou sua carreira — a elevou.
Olhando para o Futuro
O cenário do trabalho continua evoluindo e, com ele, nossa compreensão da sustentabilidade da carreira. Longas pausas estão passando de exceções raras a ferramentas estratégicas para o desenvolvimento profissional.
Para os empregadores, a mensagem está se tornando mais clara: apoiar os anos sabáticos dos funcionários não é apenas um benefício — é um investimento em resiliência da equipe e desenvolvimento de liderança. Quando feito com cuidado, o tempo de folga fortalece tanto os indivíduos quanto as organizações.
Para profissionais considerando esse caminho, as evidências sugerem que se afastar no momento certo pode ser transformador. A chave está no momento intencional e em ver a pausa não como uma fuga, mas como uma pausa estratégica que pode redefinir o que vem a seguir.
Conforme mais profissionais compartilham suas experiências, o estigma em torno das pausas na carreira continua a diminuir. O que antes era visto como um desvio arriscado é cada vez mais reconhecido como uma escolha deliberada — uma que pode levar a maior clareza, confiança e propósito tanto no trabalho quanto na vida.
"Eu não era um estudante com poucas obrigações ou um jovem de 20 e poucos anos que não havia se estabelecido em uma carreira. Eu era um profissional estabelecido me afastando quando as apostas eram altas."
— Editora de revista
"As pessoas relatam melhor saúde mental e física, maior confiança e um maior senso de propósito após uma longa pausa."
— David Burkus, psicólogo organizacional









